Bolsonarismo pretende repetir estratégia do PT que elegeu Lula em 2022, diz analista
A campanha de Flávio Bolsonaro para 2026 deve explorar o desgaste do governo Lula, repetindo estratégia do PT em 2022. Analista da XP, João Paulo Machado, detalha a aposta no cansaço com o petismo e a tentativa de ampliar alcance para além da base conservadora.
A campanha de Flávio Bolsonaro para a eleição presidencial de 2026 deve apostar no desgaste do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como principal motor de crescimento. A avaliação é do analista de política da XP João Paulo Machado, que participou da edição especial do programa Mapa de Risco, do InfoMoney, exibida nesta sexta-feira (17).
Segundo o analista, o bolsonarismo pretende repetir a lógica usada pelo PT em 2022, quando Lula capitalizou o desgaste do governo de Jair Bolsonaro para ampliar sua rejeição. "Me parece que a gente tem uma estratégia muito parecida com a que foi adotada pelo petismo em 2022. Naquele momento, Lula trabalhou a ideia do cansaço com o bolsonarismo. Agora, o bolsonarismo quer utilizar justamente o cansaço com o petismo", afirmou.
Estratégia antipetista como eixo central
Machado afirma que o discurso antipetista continuará sendo o principal eixo da comunicação de Flávio Bolsonaro. "O bolsonarismo nasceu politicamente no antipetismo e é nesse terreno que ele continua mais confortável. A campanha vai trabalhar para manter esse eleitorado mobilizado e evitar qualquer dispersão de votos para candidaturas alternativas", disse.
Ao mesmo tempo, a campanha busca ampliar alcance para além do eleitorado tradicional da direita. "Existe uma compreensão de que será preciso avançar sobre segmentos onde a direita teve mais dificuldade, especialmente entre as mulheres e os eleitores de centro", completou.
Desafio de reduzir rejeição sem perder a base
Para Machado, uma das prioridades será reduzir a rejeição de Flávio Bolsonaro nesses grupos sem perder a identificação com a base bolsonarista. "O desafio é manter muito condensado esse eleitorado antipetista e conservador, impedindo qualquer desmobilização, mas também ampliar o diálogo com quem não faz parte desse núcleo duro. É justamente nesse eleitorado menos ideológico que a campanha acredita haver espaço para crescimento", afirmou.
Rejeição pesa mais que preferência ideológica
Durante o programa, Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens, avaliou que a estratégia dialoga com uma mudança observada nas últimas disputas presidenciais. "A rejeição tem determinado muito mais voto do que a escolha ideológica. A maioria dos brasileiros não é composta por eleitores altamente ideológicos. Existe um grupo muito grande que acompanha política à distância e tende a tomar sua decisão mais perto da eleição. É esse eleitor que acaba definindo o resultado", afirmou.
Dolci acrescentou que a campanha de Flávio também tenta construir uma imagem menos radical do que a associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, justamente para reduzir resistências. "O Flávio tem procurado se apresentar como um candidato menos radical, dialogando com públicos onde o bolsonarismo tradicional encontrou dificuldades. A maioria do eleitorado brasileiro não gosta de radicalismo. A radicalidade ajuda a fazer barulho nas redes sociais, mas não necessariamente define voto. Por isso, reduzir rejeição será tão importante quanto mobilizar a base", disse.
Perguntas Frequentes
Qual a principal estratégia da campanha de Flávio Bolsonaro para 2026?
Segundo o analista da XP João Paulo Machado, a campanha pretende explorar o desgaste do governo Lula e repetir a lógica antipetista usada pelo PT em 2022.
Quem participou do programa Mapa de Risco do InfoMoney?
Participaram João Paulo Machado, analista de política da XP, e Renato Dolci, diretor de Dados da Timelens.
O que Renato Dolci disse sobre o peso da rejeição nas eleições?
Dolci afirmou que a rejeição tem determinado mais o voto do que a escolha ideológica, e que a maioria dos brasileiros não é altamente ideológica.
Como Flávio Bolsonaro pretende reduzir a rejeição?
Segundo Dolci, ele busca se apresentar como candidato menos radical, dialogando com públicos onde o bolsonarismo tradicional encontrou dificuldades, como mulheres e eleitores de centro.