# Serviços no Brasil voltam a crescer em agosto, mostra PMI

> O PMI de Serviços do Brasil registrou 50,5 em agosto, indicando retomada do crescimento após contração. O índice superou a marca de 50,0, com estabilização de novas encomendas e emprego. Pressões inflacionárias persistem no setor, conforme dados da pesquisa. A atividade demonstra resiliência, mas custos elevados continuam a desafiar a recuperação plena do segmento.

*Mercado Valor · Economia · 03 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

A atividade de serviços no Brasil voltou a crescer em agosto, com o PMI subindo a 50,5. Novas encomendas e emprego se estabilizaram, mas pressões inflacionárias seguem. Entenda o cenário.

A atividade de serviços no Brasil voltou a crescer em agosto, após um tropeço em julho. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) de serviços, compilado pela S&P Global, subiu a 50,5 no mês passado, ante 49,7 em julho, voltando a ficar acima da marca de 50, que separa crescimento de contração. No ano, apenas julho apresentou retração da atividade.

O ritmo geral de crescimento, porém, foi apenas marginal. As empresas que relataram atividade mais forte atribuíram a melhora à ampliação de suas bases de clientes e à conquista de novos contratos. As condições de demanda deram sinais de estabilização, com os volumes de novos negócios ficando praticamente estáveis em agosto, após registrarem a queda mais acentuada em dez meses em julho. Algumas empresas observaram demanda mais forte e aumento no número de novas consultas, mas outras continuaram relatando dificuldades com cancelamentos de projetos, pressões competitivas e inflação.

O mercado de trabalho também se estabilizou. O nível geral de emprego no setor de serviços permaneceu inalterado em agosto, após quedas em junho e julho. Algumas empresas aumentaram contratações para preencher vagas em aberto e repor funcionários desligados; outras reduziram quadros em meio a reestruturações e controle de custos. A confiança dos fornecedores de serviços melhorou, chegando ao nível mais alto em três meses: a parcela de companhias que esperam aumento da atividade nos próximos 12 meses subiu de 29% em julho para 32% em agosto. O otimismo foi sustentado pela expectativa de melhora das condições econômicas e pelo aumento da confiança do mercado após a eleição presidencial de outubro. cenário econômico pós-eleição

As pressões inflacionárias, no entanto, seguem como principal desafio. Os custos de insumos continuaram em forte alta, embora o ritmo tenha desacelerado ante julho. As empresas relataram aumentos em materiais como cabos, alimentos, componentes eletrônicos, tintas, têxteis e madeira, além de energia, financiamento, combustíveis, mão de obra, impostos sobre propriedades e transporte. Para proteger margens, repassaram parte dos custos aos consumidores, e a inflação de venda se intensificou. Ainda assim, apenas 16% das empresas elevaram preços, bem abaixo dos 41% que relataram aumento de custos.

Apesar da melhora no setor de serviços, a atividade do setor privado brasileiro permaneceu em contração, pressionada pela retração na indústria. O PMI Composto subiu a 49,1 em agosto, de 48,8 em julho, mas seguiu abaixo da marca de 50 pelo segundo mês consecutivo. Para Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, o setor de serviços ofereceu algum suporte, mas o setor privado segue sob pressão. Uma recuperação, segundo ela, dependerá de demanda mais forte, redução das pressões inflacionárias e maior disposição das empresas para investir e contratar. o que esperar da inflação

Na prática, o que isso significa para você? A estabilização do emprego no setor de serviços, que responde por grande parte dos postos de trabalho formais no país, é um sinal de que o mercado de trabalho pode não piorar tão rápido. Por outro lado, o repasse de custos mais forte aos preços finais pode pressionar a inflação ao consumidor nos próximos meses, especialmente em itens como alimentação fora de casa, transporte e serviços pessoais. Para quem consome serviços, a tendência é de preços ainda elevados, mas com ritmo de alta possivelmente menor que o dos custos das empresas.

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/atividade-servicos-brasil-volta-crescer-agosto-mostra-pmi/
