# Nova tarifa dos EUA: governo brasileiro espera sobretaxa de 12,5% nesta sexta

> O governo brasileiro projeta que os Estados Unidos anunciem, nesta sexta-feira (24), uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A nova tarifa amplia a pressão comercial sobre o Brasil, que já enfrenta uma tarifa de 25% em vigor. A medida representa uma segunda frente de restrições comerciais impostas pelos EUA.

*Mercado Valor · Economia · 22 de julho de 2026 · Bianca Solano*

O governo brasileiro trabalha com a expectativa de que os Estados Unidos anunciem, nesta sexta-feira (24), uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, abrindo uma segunda frente de pressão comercial após a tarifa de 25% já em vigor.

O governo brasileiro trabalha com a expectativa de que os Estados Unidos anunciem, nesta sexta-feira (24), uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida, resultado de investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre combate ao trabalho forçado, abre uma segunda frente de pressão sobre as exportações nacionais, dias após a entrada em vigor da tarifa de 25% aplicada a parte dos embarques brasileiros.

A principal incerteza em Brasília não é mais se a cobrança será anunciada, mas como será aplicada: se cumulativa aos 25% ou se substituirá outros tributos existentes. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aguarda definição do governo Donald Trump.

## O que esperar da nova sobretaxa de 12,5%

"Os 12,5% provavelmente serão anunciados na sexta-feira. Nós estamos na expectativa de saber se eles serão cumulativos com os 25% ou não", afirmou o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa. Segundo ele, somente após a decisão americana será possível avaliar o novo cenário para o comércio bilateral.

O governo considera que as chances de reverter essa segunda investigação são menores que as do caso dos 25%. Integrantes do Planalto avaliam que o processo sobre trabalho forçado tem alcance global e envolve dezenas de países, reduzindo espaço para negociação específica com o Brasil.

### Entenda a investigação do USTR

A nova medida faz parte de investigação do USTR sobre importações de produtos fabricados com trabalho forçado. Na terça-feira (21), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, confirmou que o governo americano divulgará novas tarifas para aproximadamente 60 países.

O Brasil aparece entre as nações investigadas porque, segundo relatório preliminar do órgão, importa mercadorias de países que não adotariam padrões trabalhistas equivalentes aos americanos. Na avaliação do USTR, isso permitiria que produtos chegassem ao mercado brasileiro a preços menores, criando concorrência considerada desleal para empresas dos EUA.

O documento aponta que o Brasil não aplica de forma efetiva restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado e cita cinco grupos de produtos entre 2021 e 2025: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.

## Tarifas cumulativas ou substitutas?

Além do Brasil, outras 53 economias poderão ser submetidas à tarifa de 12,5%. Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e União Europeia receberam proposta de sobretaxa de 10%, por possuírem mecanismos mais amplos de restrição, segundo avaliação americana.

Na avaliação do governo brasileiro, a nova cobrança também serviria para substituir a tarifa de 10% aplicada anteriormente pelos EUA e derrubada pela Suprema Corte americana. Como essa cobrança perde validade nesta semana por determinação judicial, integrantes do Executivo entendem que a tarifa de 12,5% funcionaria como novo instrumento para manter pressão comercial.

"O que vamos descobrir na sexta-feira é se teremos 25% mais 12,5% ou se haverá substituição", afirmou Márcio Elias Rosa em entrevista coletiva.

## Impactos para exportadores brasileiros

O secretário-executivo do MDIC afirmou que temas discutidos durante a investigação que resultou na tarifa de 25% deixaram de fazer parte das negociações com Washington. Assuntos como etanol, açúcar e acordos tarifários com Índia e México já foram decididos pelo governo americano.

"Os nossos argumentos, infelizmente, não foram acolhidos e eles usaram esses argumentos de maneira errada, equivocada e injusta para tomar a decisão", disse.

A tarifa de 25% foi baseada em investigação do USTR com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, alegando práticas comerciais prejudiciais às empresas americanas, incluindo desmatamento ilegal, pirataria e o sistema Pix.

Enquanto aguarda a decisão americana, o governo prepara medidas para reduzir impactos sobre setores exportadores e ampliar mercados. O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu o sistema multilateral de comércio. Márcio Elias Rosa confirmou missão oficial à Índia nas próximas semanas.

"A negociação é possível, vai ser retomada, mas nós temos que trabalhar para diversificar mercados", afirmou.

O governo também avalia propostas do setor produtivo, como mudanças em incentivos às exportações (drawback e Reintegra) e pedidos para flexibilizar exigências ligadas à manutenção de empregos. Segundo o MDIC, nenhuma medida foi definida até o momento.

## Perguntas Frequentes

### Quando a nova tarifa de 12,5% será anunciada?

O governo brasileiro espera o anúncio para esta sexta-feira (24), pelo governo americano.

### A tarifa de 12,5% será cumulativa com a de 25%?

Ainda não há definição. O MDIC aguarda decisão do governo Trump para saber se as tarifas se somarão ou se haverá substituição.

### Quantos países serão afetados pela nova sobretaxa?

Além do Brasil, outras 53 economias poderão ser submetidas à tarifa de 12,5%. Canadá, México e União Europeia receberam proposta de 10%.

### Quais produtos brasileiros são alvo da investigação?

O USTR cita cinco grupos: alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco, entre 2021 e 2025.

### O que motivou a tarifa de 25% sobre o Brasil?

A tarifa foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, alegando práticas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema Pix.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/apos-tarifa-25-governo-ja-trabalha-nova-sobretaxa-eua-nesta-sexta/
