Janja muda postura e busca aproximação com evangélicos em 2026
Após resistir a gestos de Lula aos evangélicos em 2022, Janja da Silva mudou de postura e planeja uma grande reunião com o segmento. A nova posição chama a atenção de aliados, mas sua defesa da criminalização da misoginia ainda gera atritos.
Janja muda postura e busca aproximação com evangélicos após resistência em 2022
Após resistir ao longo de toda a corrida eleitoral de 2022 a gestos do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em direção aos evangélicos, a primeira-dama Janja da Silva mudou de postura na disputa atual e tem dialogado com segmentos religiosos. Ela planeja, inclusive, para as próximas semanas, quando a campanha já estiver começado oficialmente, uma "grande reunião" com eles em São Paulo. A nova posição em relação ao grupo chama a atenção de aliados do presidente.
A resistência de 2022: o que mudou?
Na disputa de quatro anos atrás, Janja foi apontada como uma das principais responsáveis por Lula ter resistido ao máximo a lançar uma carta voltada ao segmento evangélico. A apresentação de um documento em que era assumido compromisso com a liberdade de culto e religião era defendida por toda a cúpula da campanha, mas o então candidato protelou ao máximo e só o apresentou dez dias antes do segundo turno.
Lula cedeu após conversa com a senadora Eliziane Gama (PT-MA), que é evangélica e na época estava no PSD. Apesar de ter acompanhado o marido na maioria dos eventos da campanha de 2022, Janja não compareceu ao ato de lançamento da carta aos evangélicos, num hotel de São Paulo.
A nova postura de Janja em 2025-2026
Lideranças petistas presentes nas duas campanhas dizem que é nítido que Janja mudou de postura em relação aos evangélicos. Indagada por meio de sua assessoria sobre a sua motivação para abrir diálogo com o grupo, a primeira-dama não respondeu.
Ao longo de 2025, Janja já havia feito uma série de viagens pelo país para encontros com evangélicas. Nas reuniões, ela chegou a cantar a música "Deus cuida de mim", composta e interpretada pelo cantor Kleber Lucas. Em junho deste ano, a primeira-dama esteve no encontro Nacional do Núcleo Evangélico do PT, em Brasília.
O discurso emocionado de Janja
Em sua fala no encontro do PT, Janja disse que "a gente precisa ir para dentro das igrejas e conversar com as nossas irmãs". Ao usar termo típico dos evangélicos, ela se justificou:
"Eu já estou falando 'nossas irmãs' porque eu me sinto um pouquinho. O pessoal fica falando: 'Ela não é evangélica', mas eu acredito em Deus e é isso que importa. Eu acredito em Cristo", disse Janja, que se emocionou ao citar a música 'Deus cuida de mim'. "Quando escuto o Kleber cantando... Quando eu falo até me emociono, porque o Espírito Santo precisa tocar o nosso coração aonde quer que a gente esteja. Deus está em qualquer lugar."
Janja contou no encontro do PT que procurou as mulheres evangélicas porque o seu "coração estava mandando" e falou que não seria representante da esquerda no diálogo.
O cenário eleitoral entre evangélicos
Pesquisa da Genial/Quaest mostra melhora da intenção de voto em Lula entre os evangélicos, apesar de Flávio Bolsonaro (PL) ter maior vantagem. Ele soma 53% das intenções de voto contra 31% do petista. Em maio, a vantagem era de 61% a 24%.
Os desafios da aproximação
Mas, apesar do esforço, posicionamentos de Janja, como a sua defesa da aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia, ainda são empecilhos em sua tentativa de criar conexões com os evangélicos.
Em entrevista à Folha de São Paulo e ao UOL, Janja classificou críticas que a qualificam como "gastadeira" em suas viagens ao exterior como misoginia. A Câmara discute projeto de lei, defendido por ela, que criminaliza a misoginia. A bancada evangélica pede mudanças no texto, sob alegação que pode ferir a liberdade religiosa.
O que esperar daqui para frente?
A grande reunião planejada por Janja com evangélicos em São Paulo deve ocorrer nas próximas semanas, quando a campanha oficial começar. Resta saber se o esforço será suficiente para superar as resistências internas e externas, especialmente diante das divergências sobre o projeto de lei da misoginia.
Perguntas Frequentes
Por que Janja mudou de postura em relação aos evangélicos?
Lideranças petistas apontam que a mudança é nítida, mas Janja não respondeu oficialmente sobre sua motivação. Ela afirmou em evento que procurou as mulheres evangélicas porque seu "coração estava mandando".
O que Janja fez para se aproximar dos evangélicos?
Ela fez viagens pelo país para encontros com evangélicas, cantou a música "Deus cuida de mim" e participou do encontro Nacional do Núcleo Evangélico do PT em Brasília.
Qual a vantagem de Flávio Bolsonaro entre evangélicos?
Segundo pesquisa Genial/Quaest, Flávio Bolsonaro tem 53% das intenções de voto entre evangélicos, contra 31% de Lula. Em maio, a vantagem era de 61% a 24%.
O que a bancada evangélica critica no projeto de lei da misoginia?
A bancada evangélica pede mudanças no texto, sob alegação de que pode ferir a liberdade religiosa.
Janja é evangélica?
Janja disse em evento que acredita em Deus e em Cristo, mas não se declarou evangélica. Ela afirmou que "o pessoal fica falando: 'Ela não é evangélica'".
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