# Flávio Bolsonaro: impedir concorrência na direita antes de Lula

> Flávio Bolsonaro ajustou a pré-campanha presidencial para priorizar o bloqueio de adversários dentro do campo conservador, abandonando a estratégia de expansão da base eleitoral. A mudança visa consolidar o eleitorado de direita antes de enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas apontam que a manobra reduz fragmentação e fortalece a posição do senador para 2026.

*Mercado Valor · Economia · 02 de agosto de 2026 · Caetano Vidal*

Pré-campanha de Flávio Bolsonaro mudou de rumo: em vez de ampliar a base, agora foca em impedir concorrência na direita. Analistas explicam.

## Antes de enfrentar Lula, Flávio precisa impedir concorrência na direita, diz analista

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro mudou de rota. Nos primeiros meses, o candidato tentou se distanciar da imagem do pai, defendendo a vacina contra a Covid-19 e adotando tom moderado em entrevistas. Nas últimas semanas, porém, o discurso endureceu. A convenção do PL reuniu o presidente argentino Javier Milei, vídeos com inteligência artificial de Jair Bolsonaro ganharam destaque e Flávio voltou a atacar o sistema eleitoral. Para analistas, o movimento não é casual: antes de enfrentar Lula, o candidato precisa impedir a concorrência na direita.

Segundo Jorge Chaloub, professor de Ciência Política da UFRJ, a guinada revela uma mudança de prioridades da campanha. "Inicialmente, o Flávio Bolsonaro parecia estar fazendo um movimento de ter a ideia de que o eleitor do Bolsonaro já seria dele e tentar conquistar o eleitor dos centros. Era muito claro", afirmou durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, desta sexta-feira (31).

## Por que a campanha abandonou a estratégia de conquistar o centro?

Os desgastes enfrentados pela candidatura nos últimos meses levaram a campanha a abandonar, ao menos temporariamente, a estratégia de ampliar a base. "Depois das acusações, o Flávio Bolsonaro passou a fazer movimentos que são mais próximos do Jair. Questionar urnas, fazer discursos mais duros contra os adversários. Toda essa convenção foi um teste", disse Chaloub.

Na avaliação do professor, o principal objetivo deixou de ser ampliar a candidatura e passou a ser proteger seu espaço dentro da direita. "Me parece que ele está mais preocupado em garantir a base dele. Ele está com medo de que algum desses candidatos cresça para cima da base bolsonarista", afirmou.

## A preocupação com a liderança da família Bolsonaro

O cientista político vai além e afirma que a preocupação envolve a própria sobrevivência da família Bolsonaro como principal liderança do campo conservador. "Existe uma preocupação muito evidente de garantir a liderança da família Bolsonaro no campo da direita. Por vezes, se prefere perder com alguém da família Bolsonaro do que eventualmente ganhar com alguém que retire esse protagonismo no futuro", avaliou.

Esse reposicionamento ajuda a explicar por que a campanha passou a assumir riscos que antes evitava. "O fato de alguém que pretende chegar à Presidência ainda estar testando estratégias na segunda metade de julho é um sinal de fragilidade da campanha", afirmou Chaloub.

## O que dizem os analistas da XP?

O diagnóstico é compartilhado por Paulo Gama, head de Análise Política da XP. Para ele, a aproximação com figuras como Javier Milei e o retorno a um discurso mais próximo do bolsonarismo tradicional fazem sentido dentro dessa lógica. "Talvez tenha sido essa a ideia de se voltar de novo ao eleitor das origens, das bases, para fixar um pouco a imagem e evitar o risco de que ele pudesse ser atacado ou ameaçado por alguma das outras candidaturas de oposição", afirmou.

Segundo Gama, a mudança representa uma inversão da estratégia adotada no lançamento da candidatura. "O Flávio, para vencer a eleição, sempre precisou trazer o eleitor de centro, o eleitor que rejeitou o pai dele em 2022. Foi a questão da vacina, foi a busca por uma vice mulher, parecia ser essa a receita para buscar esse eleitor. Agora ele passou por episódios de desgaste e talvez tenha voltado ao eleitor das origens", disse.

## O que muda para o eleitor?

Para quem acompanha a eleição de 2026, a leitura dos analistas indica que a campanha de Flávio Bolsonaro prioriza, neste momento, a preservação da liderança política do bolsonarismo, mais do que a derrota de Lula. Na visão de Chaloub, esse movimento ajuda a explicar a radicalização recente. "Ele está mais preocupado em garantir o que já tem antes de olhar para o eleitorado independente, que seria necessário para vencer uma eleição no segundo turno contra o Lula", concluiu.

Ainda que Flávio permaneça como principal candidato do campo conservador, a preocupação deixou de ser apenas derrotar Lula e passou a incluir a preservação da liderança política do bolsonarismo. Para os analistas, a estratégia também busca evitar que outros nomes da direita ocupem espaço durante a campanha.

O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.

## Perguntas Frequentes

### Por que Flávio Bolsonaro mudou a estratégia de campanha?

Segundo analistas, os desgastes recentes levaram a campanha a abandonar a busca pelo eleitor de centro e priorizar a preservação da base bolsonarista.

### O que é o Mapa de Risco?

É um programa de política do InfoMoney que vai ao ar todas as sextas-feiras, às 6h, no YouTube e em tocadores de podcast.

### Quem são os analistas citados?

Jorge Chaloub, professor de Ciência Política da UFRJ, e Paulo Gama, head de Análise Política da XP.

### Qual o principal objetivo da campanha agora?

Impedir a concorrência na direita e garantir a liderança da família Bolsonaro no campo conservador, antes de enfrentar Lula.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/antes-enfrentar-lula-flavio-precisa-impedir-concorrencia-direita-diz-analista/
