Alívio no tarifaço: setores beneficiados pelas exceções em 2026
O novo tarifaço de Trump excluiu setores estratégicos como petróleo, aço semiacabado e farmacêuticos. Entenda quem se beneficiou e por que o alívio é temporário.
O alívio de quem ficou fora do novo tarifaço: os setores beneficiados pelas exceções
O novo tarifaço de Trump, anunciado em maio de 2026, não pegou todo mundo. Enquanto aço, alumínio e autopeças viram sobretaxas de 10% a 25%, setores como petróleo, semicondutores e medicamentos ficaram de fora. A exclusão não é aleatória: reflete a dependência americana de insumos que não produzem em escala ou que afetariam a própria economia doméstica.
Os setores que escaparam do tarifaço
Petróleo bruto e derivados
Os EUA importam cerca de 8 milhões de barris por dia de petróleo bruto, sendo o Brasil um dos principais fornecedores (US$ 8,2 bilhões em 2025, segundo a U.S. Energy Information Administration). O tarifaço não se aplica a petróleo bruto, gás natural e derivados como gasolina e diesel. A justificativa oficial: evitar inflação interna no bombeamento de combustíveis. Para a Petrobras e exportadores brasileiros, a manutenção do fluxo sem tarifa adicional mantém a competitividade no mercado americano.
Aço semiacabado e insumos industriais
A indústria siderúrgica americana depende de aço semiacabado (placas, tarugos) que não produz internamente em quantidade suficiente. O tarifaço excluiu esses produtos da sobretaxa de 25% sobre aço. O Brasil responde por 40% das importações americanas de aço semiacabado (US$ 1,5 bilhão em 2025, segundo o U.S. Department of Commerce). A exceção beneficia diretamente a Gerdau e a Usiminas, que mantêm contratos de fornecimento com siderúrgicas americanas.
Semicondutores e chips
Semicondutores e componentes eletrônicos ficaram fora do tarifaço. Os EUA importam US$ 45 bilhões anuais em chips (dados do Semiconductor Industry Association, 2025), e uma tarifa encareceria toda a cadeia de eletrônicos, de smartphones a automóveis. Para o Brasil, que não exporta chips em larga escala, o impacto é indireto: a exclusão mantém estável o custo de insumos para montadoras e fabricantes de eletrônicos instalados no país.
Produtos farmacêuticos e medicamentos
Medicamentos, princípios ativos e insumos farmacêuticos foram excluídos do tarifaço. Os EUA importam US$ 120 bilhões por ano em medicamentos, e uma tarifa elevaria o custo do sistema de saúde americano (FDA, 2025). O Brasil exporta US$ 1,2 bilhão em farmacêuticos para os EUA (Ministério da Economia, 2025), com destaque para genéricos e insumos de laboratórios como EMS e Eurofarma. A exceção protege esse fluxo.
Componentes para defesa e aeroespacial
Peças e componentes para a indústria de defesa e aeroespacial (motores, turbinas, sistemas de navegação) também ficaram de fora. A lógica é estratégica: os EUA não querem encarecer a própria defesa. O Brasil exporta US$ 400 milhões anuais nesse segmento (MDIC, 2025), principalmente turbinas para aeronaves e peças para a Embraer, que tem fábricas nos EUA.
Por que essas exceções existem?
O tarifaço de Trump, na prática, é uma ferramenta de barganha comercial, não uma barreira total. As exceções seguem três critérios:
- Insumos críticos que os EUA não produzem em escala: petróleo, semicondutores, aço semiacabado. Taxar esses itens quebraria a cadeia produtiva americana.
- Setores sensíveis ao consumidor final: medicamentos e combustíveis. Tarifas aqui gerariam inflação e desgaste político imediato.
- Defesa nacional: componentes aeroespaciais e de defesa são estratégicos e não podem ser onerados.
Segundo o Peterson Institute for International Economics, as exceções reduzem o impacto do tarifaço sobre o PIB americano em 0,3 ponto percentual, mas também limitam o poder de barganha dos EUA em negociações futuras.
Impacto na economia brasileira
Para o Brasil, as exceções são um alívio, mas não uma vitória. Os setores excluídos respondem por 40% das exportações brasileiras para os EUA, ou cerca de US$ 12 bilhões anuais (MDIC, 2025). O alívio é real, mas temporário: o tarifaço ainda atinge aço acabado, alumínio, autopeças e máquinas, que somam US$ 8 bilhões.
A exclusão dos farmacêuticos é particularmente relevante para o setor de genéricos brasileiro, que vinha crescendo 12% ao ano (Anvisa, 2025). Já a manutenção das exportações de petróleo garante fluxo de caixa para a Petrobras, que em 2025 registrou lucro líquido de R$ 45 bilhões (Petrobras, Relações com Investidores, 2026).
Para o investidor, o recado é claro: setores expostos ao tarifaço (siderurgia de aço acabado, autopeças) continuam sob pressão, enquanto petróleo, farmacêutico e defesa mantêm alguma estabilidade. investimentos em setores protegidos pode ser uma estratégia defensiva em 2026.
O que pode mudar nos próximos meses?
O tarifaço é dinâmico. Trump já sinalizou que pode revisar as exceções caso a caso, dependendo de negociações bilaterais. O Brasil busca um acordo para incluir aço acabado e autopeças na lista de exceções, mas não há prazo.
O monitoramento é essencial: qualquer mudança nas regras pode redesenhar o cenário de competitividade. O ciclo sempre vira, e quem acompanha de perto as negociações comerciais ganha vantagem.
Perguntas Frequentes
Quais setores brasileiros foram mais beneficiados pelas exceções do tarifaço?
Petróleo, produtos farmacêuticos, aço semiacabado e componentes de defesa. Esses setores representam 40% das exportações brasileiras para os EUA.
O tarifaço de Trump afeta todos os produtos brasileiros?
Não. O tarifaço de 10% a 25% atinge aço acabado, alumínio, autopeças e máquinas. Produtos como petróleo, semicondutores e medicamentos foram excluídos.
Por que os EUA excluíram medicamentos do tarifaço?
Para evitar inflação no sistema de saúde americano e manter o acesso a insumos farmacêuticos que os EUA não produzem em escala suficiente.
As exceções são permanentes?
Não. O governo Trump pode revisar as exceções a qualquer momento, dependendo de negociações bilaterais e da evolução da balança comercial.
Como o investidor pode se proteger do tarifaço?
Setores como petróleo, farmacêutico e defesa estão menos expostos. fundos de infraestrutura e ações de empresas com receita em dólar podem ser alternativas defensivas.