# Agricultores argentinos retêm trigo: preços ainda sobem?

> Agricultores argentinos retêm 30% da safra de trigo, apostando em preços mais altos e adiando negociações. A estratégia de retenção contrasta com a aceleração das exportações de soja no país. O comportamento dos produtores argentinos influencia diretamente a oferta global de trigo, mantendo pressão altista sobre as cotações internacionais do cereal.

*Mercado Valor · Economia · 07 de agosto de 2026 · Rubens Athayde*

Com 30% da safra de trigo ainda por vender, produtores argentinos apostam em preços mais altos e retardam negociações, enquanto exportações de soja aceleram.

## Agricultores argentinos retêm safra de trigo de olho em preços mais altos

Os agricultores argentinos seguram cerca de 30% da safra de trigo desta temporada, apostando em preços ainda mais altos, informou a bolsa de grãos de Rosário nesta sexta-feira. Até agora, eles venderam 70% da safra 2025/26, ritmo inferior à média de 86% registrada na mesma fase nos últimos cinco anos. Isso deixa 7,2 milhões de toneladas ainda por vender, excluindo os grãos retidos para semente.

## Por que os produtores argentinos seguram o trigo?

A lógica é simples: preços mais altos incentivam a espera. A bolsa de Rosário afirmou que as cotações elevadas do trigo estão levando os agricultores a retardar as vendas, em vez de apressá-las. Quase 9 milhões de toneladas de grãos ainda não tiveram seus preços definidos, sinal de que o produtor prefere aguardar o momento mais favorável.

Esse comportamento não é novo no ciclo agrícola, mas ganha contornos específicos quando o cenário externo sustenta as cotações. As tensões no Mar Negro continuam a apoiar os preços mundiais do trigo, o que reforça a paciência dos argentinos.

## Recorde de vendas totais: 19 milhões de toneladas

Mesmo com o ritmo mais lento, o volume total negociado impressiona. As vendas somam 19 milhões de toneladas métricas, igualando o recorde estabelecido em 2022. O número mostra que, apesar da retenção, a comercialização segue forte em termos absolutos.

O que chama atenção é a comparação com a média histórica. Nos últimos cinco anos, 86% da safra já havia sido vendida nesta fase. Agora, com 70%, o mercado observa um movimento claro de espera, alimentado pela expectativa de cotações ainda melhores.

## Contratos de dezembro e janeiro disparam

As negociações dos contratos de trigo para dezembro e janeiro aumentaram acentuadamente em julho, atingindo 1,68 milhão de toneladas. Esse é o maior nível mensal combinado para esses contratos em cinco anos, segundo o relatório da bolsa.

Esse dado reforça a tese de que o produtor não está fora do mercado, mas sim reposicionando suas vendas para o futuro, quando acredita que os preços serão mais vantajosos.

## Argentina perde competitividade nas exportações

Há um efeito colateral: a Argentina tornou-se menos competitiva nos mercados de exportação porque seus próprios preços também subiram. O relatório indicou que as tensões no Mar Negro sustentaram as cotações globais, mas o ganho argentino foi parcialmente neutralizado pela alta interna.

Na prática, quem compra trigo argentino encontra preços menos atraentes em relação a outros origens. Isso pode redirecionar fluxos comerciais, embora a fonte não detalhe impactos específicos em volumes.

## Soja e milho: cenários distintos

O complexo soja segue outro ritmo. A bolsa de Rosário informou que os embarques para exportação aumentaram, liderados pelo farelo de soja. As vendas locais, porém, não subiram na mesma proporção, pois os exportadores já parecem ter estoque suficiente.

Já o milho perdeu suporte nos preços locais, após uma queda nos futuros de Chicago. O movimento mostra como o mercado interno argentino reage de forma diferente a cada commodity, dependendo do cenário externo e da dinâmica de oferta e demanda.

## O que isso significa para o mercado global de trigo?

A retenção argentina tem efeito direto na oferta exportável. Com 7,2 milhões de toneladas ainda por vender, o mercado global pode enfrentar menor disponibilidade imediata, o que tende a sustentar os preços internacionais.

Para quem acompanha o setor, o sinal é de atenção. Se os produtores continuarem segurando os grãos, a pressão de alta pode se intensificar, especialmente se as tensões no Mar Negro persistirem.

## Perspectivas e riscos para o produtor

A estratégia de espera tem riscos. Se os preços caírem, o agricultor perde a oportunidade de vender no pico. Por outro lado, a expectativa de cotações mais altas pode se confirmar, gerando ganhos adicionais.

O ciclo sempre vira, e quem decide reter precisa estar atento aos sinais do mercado. A bolsa de Rosário acompanha de perto esses movimentos, e o relatório desta semana traz dados que ajudam a calibrar as expectativas.

## Perguntas Frequentes

### Por que os agricultores argentinos estão retendo o trigo?

Porque esperam preços ainda mais altos. A bolsa de Rosário informou que as cotações elevadas incentivam a espera, em vez de apressar as vendas.

### Quanto da safra de trigo ainda falta vender?

Cerca de 30% da safra 2025/26, o equivalente a 7,2 milhões de toneladas, excluindo os grãos retidos para semente.

### As vendas totais de trigo atingiram recorde?

Sim, as vendas somam 19 milhões de toneladas métricas, igualando o recorde de 2022.

### O que sustenta os preços mundiais do trigo?

As tensões no Mar Negro continuam a sustentar os preços globais, segundo o relatório da bolsa de Rosário.

### Como está o mercado de soja e milho na Argentina?

Os embarques de soja aumentaram, liderados pelo farelo, enquanto o milho perdeu suporte após queda nos futuros de Chicago.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/agricultores-argentinos-retem-safra-trigo-olho-precos-mais-altos/
