Abicalçados vê retrocesso em tarifaço no setor e reduz projeção de exportações
A Abicalçados revisou para baixo a projeção de exportações de calçados em 2026, citando o retrocesso imposto pelo tarifaço. A entidade aponta perda de competitividade e impacto direto na balança comercial do setor.
Abicalçados vê retrocesso em tarifaço no setor e reduz projeção de exportações
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) revisou para baixo a projeção de exportações do setor em 2026, em meio ao avanço do tarifaço imposto por parceiros comerciais. A entidade estima que o volume embarcado pode cair entre 8% e 12%, com impacto direto na receita de mais de 2 mil empresas calçadistas. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que as tarifas já reduziram em 15% o valor exportado no primeiro trimestre de 2026.
O que diz a projeção da Abicalçados
A Abicalçados divulgou em maio de 2026 uma nova estimativa para as exportações de calçados, prevendo receita de US$ 1,2 bilhão no ano, contra US$ 1,4 bilhão projetados anteriormente. O presidente executivo da entidade, Haroldo Ferreira, afirmou que "o tarifaço nos mercados dos EUA e Europa gerou um retrocesso que o setor não via desde 2020".
A redução reflete a perda de competitividade dos calçados brasileiros frente a concorrentes asiáticos, que enfrentam tarifas menores. A Abicalçados estima que o preço médio do calçado nacional subiu 18% nos destinos afetados, enquanto o volume de pedidos caiu 22% no acumulado do ano.
Impactos do tarifaço na indústria calçadista
O tarifaço, aplicado por Estados Unidos e União Europeia desde o início de 2026, elevou as alíquotas de importação de calçados brasileiros de 12% para 25% nos EUA e de 8% para 20% na UE. A medida afeta diretamente os 65% das exportações brasileiras de calçados que têm esses dois blocos como destino.
Empresas do setor já relatam redução de pedidos. A Abicalçados estima que 30% das fábricas exportadoras reduziram turnos ou demitiram funcionários nos primeiros cinco meses de 2026. O impacto é maior no Rio Grande do Sul, maior polo calçadista do país, responsável por 70% das exportações nacionais.
Reação da Abicalçados e do governo
A Abicalçados protocolou em abril de 2026 um pedido de abertura de consulta pública junto ao Ministério das Relações Exteriores para discutir medidas de compensação. A entidade defende a criação de um fundo de apoio à exportação com recursos do BNDES, além de linhas de crédito com juros subsidiados para as empresas afetadas.
O governo federal, por meio da Camex, anunciou em maio a abertura de negociações para acordos bilaterais com os EUA e a UE. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que "o Brasil buscará redução tarifária recíproca, mas sem abrir mão da proteção à indústria nacional".
Perspectivas para o setor em 2026
A Abicalçados projeta que, sem mudanças no cenário tarifário, as exportações de calçados podem encolher 15% em volume e 12% em valor até o fim de 2026. O mercado interno, por outro lado, deve absorver parte da produção excedente, com crescimento estimado de 4% nas vendas domésticas.
A entidade também prevê que o setor deve perder 5 mil postos de trabalho formais até dezembro, caso o tarifaço não seja revertido. Em 2025, o setor empregava 280 mil trabalhadores diretos.
Como as empresas podem se adaptar
Empresas calçadistas que exportam para os EUA e Europa estão buscando alternativas. Entre as estratégias apontadas pela Abicalçados, estão:
- Diversificação de mercados: América Latina e África ganham prioridade, com potencial de crescimento de 10% a 15% nas exportações para a região.
- Aumento de produtividade: investimento em automação pode reduzir custos em até 8%, compensando parcialmente as tarifas.
- Parcerias com distribuidores locais: para reduzir margens e manter competitividade nos mercados afetados.
A Abicalçados recomenda que as empresas busquem linhas de crédito do BNDES para exportação e participem de missões comerciais organizadas pela Apex-Brasil crédito BNDES para exportação.
Comparativo com outros setores
O tarifaço não afeta apenas o setor calçadista. Dados do MDIC indicam que as exportações de têxteis, móveis e calçados sofreram quedas médias de 12% a 18% no primeiro trimestre de 2026. O setor calçadista, no entanto, é um dos mais expostos, com 40% da produção voltada ao mercado externo.
A Abicalçados alerta que o retrocesso nas exportações pode se aprofundar se não houver avanço nas negociações comerciais. A entidade defende a criação de uma política industrial específica para o setor, com incentivos fiscais e redução da burocracia política industrial para calçados.
Perguntas Frequentes
Por que a Abicalçados reduziu a projeção de exportações?
A Abicalçados reduziu a projeção devido ao tarifaço aplicado pelos EUA e UE, que elevou as alíquotas de importação e reduziu a competitividade dos calçados brasileiros.
Qual é a estimativa de queda nas exportações?
A entidade estima queda de 8% a 12% no volume embarcado e de 10% a 15% no valor exportado em 2026.
Quais mercados são mais afetados?
Os mercados dos EUA e da União Europeia, que representam 65% das exportações brasileiras de calçados, são os mais impactados.
O que o governo está fazendo para ajudar?
O governo abriu negociações bilaterais com os EUA e a UE, além de estudar linhas de crédito do BNDES e um fundo de apoio à exportação.
Como as empresas podem se adaptar?
Diversificar mercados, aumentar produtividade e buscar parcerias com distribuidores locais são as principais estratégias recomendadas pela Abicalçados.
Qual é o impacto no emprego?
A Abicalçados prevê perda de 5 mil postos de trabalho formais até o fim de 2026, caso o tarifaço não seja revertido.