Economia

Abicalçados vê retrocesso em tarifaço no setor e reduz projeção de exportações

ResumoA Abicalçados revisou para baixo a projeção de exportações de calçados para 2026, citando retrocesso causado pelo tarifaço. A entidade aponta perda de competitividade e impacto direto na balança comercial do setor, com redução das vendas externas.

A Abicalçados revisou para baixo a projeção de exportações de calçados em 2026, citando o retrocesso imposto pelo tarifaço. A entidade aponta perda de competitividade e impacto direto na balança comercial do setor.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 17 de julho de 2026
Abicalçados vê retrocesso em tarifaço no setor e reduz projeção de exportações

Abicalçados vê retrocesso em tarifaço no setor e reduz projeção de exportações

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) revisou para baixo a projeção de exportações do setor em 2026, em meio ao avanço do tarifaço imposto por parceiros comerciais. A entidade estima que o volume embarcado pode cair entre 8% e 12%, com impacto direto na receita de mais de 2 mil empresas calçadistas. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que as tarifas já reduziram em 15% o valor exportado no primeiro trimestre de 2026.

O que diz a projeção da Abicalçados

A Abicalçados divulgou em maio de 2026 uma nova estimativa para as exportações de calçados, prevendo receita de US$ 1,2 bilhão no ano, contra US$ 1,4 bilhão projetados anteriormente. O presidente executivo da entidade, Haroldo Ferreira, afirmou que "o tarifaço nos mercados dos EUA e Europa gerou um retrocesso que o setor não via desde 2020".

A redução reflete a perda de competitividade dos calçados brasileiros frente a concorrentes asiáticos, que enfrentam tarifas menores. A Abicalçados estima que o preço médio do calçado nacional subiu 18% nos destinos afetados, enquanto o volume de pedidos caiu 22% no acumulado do ano.

Impactos do tarifaço na indústria calçadista

O tarifaço, aplicado por Estados Unidos e União Europeia desde o início de 2026, elevou as alíquotas de importação de calçados brasileiros de 12% para 25% nos EUA e de 8% para 20% na UE. A medida afeta diretamente os 65% das exportações brasileiras de calçados que têm esses dois blocos como destino.

Empresas do setor já relatam redução de pedidos. A Abicalçados estima que 30% das fábricas exportadoras reduziram turnos ou demitiram funcionários nos primeiros cinco meses de 2026. O impacto é maior no Rio Grande do Sul, maior polo calçadista do país, responsável por 70% das exportações nacionais.

Reação da Abicalçados e do governo

A Abicalçados protocolou em abril de 2026 um pedido de abertura de consulta pública junto ao Ministério das Relações Exteriores para discutir medidas de compensação. A entidade defende a criação de um fundo de apoio à exportação com recursos do BNDES, além de linhas de crédito com juros subsidiados para as empresas afetadas.

O governo federal, por meio da Camex, anunciou em maio a abertura de negociações para acordos bilaterais com os EUA e a UE. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que "o Brasil buscará redução tarifária recíproca, mas sem abrir mão da proteção à indústria nacional".

Perspectivas para o setor em 2026

A Abicalçados projeta que, sem mudanças no cenário tarifário, as exportações de calçados podem encolher 15% em volume e 12% em valor até o fim de 2026. O mercado interno, por outro lado, deve absorver parte da produção excedente, com crescimento estimado de 4% nas vendas domésticas.

A entidade também prevê que o setor deve perder 5 mil postos de trabalho formais até dezembro, caso o tarifaço não seja revertido. Em 2025, o setor empregava 280 mil trabalhadores diretos.

Como as empresas podem se adaptar

Empresas calçadistas que exportam para os EUA e Europa estão buscando alternativas. Entre as estratégias apontadas pela Abicalçados, estão:

  • Diversificação de mercados: América Latina e África ganham prioridade, com potencial de crescimento de 10% a 15% nas exportações para a região.
  • Aumento de produtividade: investimento em automação pode reduzir custos em até 8%, compensando parcialmente as tarifas.
  • Parcerias com distribuidores locais: para reduzir margens e manter competitividade nos mercados afetados.

A Abicalçados recomenda que as empresas busquem linhas de crédito do BNDES para exportação e participem de missões comerciais organizadas pela Apex-Brasil crédito BNDES para exportação.

Comparativo com outros setores

O tarifaço não afeta apenas o setor calçadista. Dados do MDIC indicam que as exportações de têxteis, móveis e calçados sofreram quedas médias de 12% a 18% no primeiro trimestre de 2026. O setor calçadista, no entanto, é um dos mais expostos, com 40% da produção voltada ao mercado externo.

A Abicalçados alerta que o retrocesso nas exportações pode se aprofundar se não houver avanço nas negociações comerciais. A entidade defende a criação de uma política industrial específica para o setor, com incentivos fiscais e redução da burocracia política industrial para calçados.

Perguntas Frequentes

Por que a Abicalçados reduziu a projeção de exportações?

A Abicalçados reduziu a projeção devido ao tarifaço aplicado pelos EUA e UE, que elevou as alíquotas de importação e reduziu a competitividade dos calçados brasileiros.

Qual é a estimativa de queda nas exportações?

A entidade estima queda de 8% a 12% no volume embarcado e de 10% a 15% no valor exportado em 2026.

Quais mercados são mais afetados?

Os mercados dos EUA e da União Europeia, que representam 65% das exportações brasileiras de calçados, são os mais impactados.

O que o governo está fazendo para ajudar?

O governo abriu negociações bilaterais com os EUA e a UE, além de estudar linhas de crédito do BNDES e um fundo de apoio à exportação.

Como as empresas podem se adaptar?

Diversificar mercados, aumentar produtividade e buscar parcerias com distribuidores locais são as principais estratégias recomendadas pela Abicalçados.

Qual é o impacto no emprego?

A Abicalçados prevê perda de 5 mil postos de trabalho formais até o fim de 2026, caso o tarifaço não seja revertido.

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