# Abelardo De La Espriella, de direita, assume Presidência da Colômbia

> Abelardo De La Espriella, advogado de direita, assumiu a Presidência da Colômbia em cerimônia realizada em Cali, sob forte esquema de segurança. O novo mandatário prometeu mão firme contra o crime e uma guinada conservadora, com impacto político na América Latina. A posse marca uma mudança de orientação ideológica no país.

*Mercado Valor · Economia · 10 de agosto de 2026 · Rubens Athayde*

Abelardo De La Espriella, advogado de direita, tomou posse como presidente da Colômbia em Cali, sob forte esquema de segurança. Ele promete mão firme contra o crime e uma guinada conservadora que ecoa na América Latina.

## Abelardo De La Espriella, de direita, assume Presidência da Colômbia

O advogado de direita Abelardo De La Espriella tomou posse nesta sexta-feira, 7 de agosto, como presidente da Colômbia perante o Congresso. A cerimônia ocorreu em Cali, no sudoeste do país, e não em Bogotá, a capital. Pela primeira vez na história, a posse presidencial foi realizada fora da capital, sob forte esquema de segurança.

Abelardo De La Espriella, de 48 anos, venceu no segundo turno da eleição presidencial de 21 de junho o candidato de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo agora ex-presidente Gustavo Petro. Com a vitória, a Colômbia deu uma guinada à direita, acelerando uma mudança política em direção ao bloco conservador que se estende pela América Latina.

## O que a posse em Cali representa para a Colômbia

A cerimônia de posse contou com a presença de 10 presidentes e chefes de Estado, além de delegações dos Estados Unidos e de outros países. Cali foi fortemente protegida por mais de 11.000 militares das Forças Armadas e medidas de segurança rigorosas, devido ao temor de ataques com explosivos por parte de grupos armados ilegais.

O presidente do Congresso, Honorio Henríquez, colocou a faixa presidencial e conduziu o juramento. De La Espriella disse: "Juro perante Deus e prometo ao povo cumprir fielmente a Constituição e as leis da Colômbia".

## A guinada à direita na América Latina

A Colômbia passou a integrar a lista de países latino-americanos que elegeram presidentes de direita nos últimos anos. Além dela, Argentina, Bolívia, Costa Rica, Chile, Equador, Panamá e Peru também tomaram esse caminho. O movimento é parte de uma tendência regional que se consolidou nas últimas eleições.

Para quem acompanha a política latino-americana, o ciclo sempre vira. A alternância entre blocos ideológicos é uma constante na região, e a Colômbia agora se junta a esse movimento conservador.

## Mão firme contra o crime e os grupos armados

De La Espriella propõe uma "mão firme" contra o crime, o tráfico de drogas e os grupos armados ilegais. Ele defende o fortalecimento das Forças Armadas e a construção de megaprisões, em um país atormentado por um conflito armado interno de seis décadas que já deixou cerca de meio milhão de mortos.

"Vim para encerrar um longo capítulo de resignação nacional e, junto com o povo, embarcar na mais profunda transformação de nosso destino", disse De La Espriella na base militar do Batalhão de Pichincha, em Cali, após tomar posse no auditório de uma universidade próxima. "Envio uma mensagem firme ao povo colombiano: chegou a hora de restaurar a ordem, a autoridade e a liberdade."

O novo presidente também foi direto ao se dirigir às tropas reunidas na base, em um discurso de 75 minutos. "Os membros de gangues criminosas e grupos narcoterroristas têm duas opções: submeter-se ao Estado de Direito ou enfrentar a resposta determinada do Estado colombiano e de suas forças de segurança." Ele acrescentou que a opção de negociações de paz com grupos armados havia sido "completamente esgotada".

## Erradicação da coca e adesão ao Escudo das Américas

"Chegou a hora de erradicar definitivamente o flagelo das culturas ilícitas", disse De La Espriella. Ele afirmou que utilizaria pulverização aérea de herbicidas que não prejudiquem a saúde humana nem o meio ambiente para destruir a coca. Em uma de suas primeiras medidas como presidente, a Colômbia aderirá ao programa "Escudo das Américas", fundado pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

## Redução do Estado e retomada da mineração

O novo presidente, que se apresenta como um "outsider" da política, é apelidado de "El Tigre" e lidera o movimento Defensores da Pátria. Ele planeja reduzir impostos, diminuir o tamanho do Estado em até 40% e relançar o setor de mineração e energia por meio da retomada da assinatura de contratos de exploração de hidrocarbonetos.

Essas medidas prometem impactar diretamente a economia colombiana, que é a quarta maior da América Latina. As reformas são voltadas para sanear as finanças do país, reduzir a pobreza, combater a violência associada ao conflito armado interno e atender às necessidades da população nas áreas de saúde, educação e emprego.

## O desafio da coalizão em um Congresso dividido

Mas o presidente terá que conciliar suas propostas para formar uma coalizão que lhe permita aprovar as reformas necessárias. O Congresso está dividido e, embora nenhum dos partidos políticos tenha maioria, a esquerda é a principal força. Esse cenário exige negociação e pragmatismo para avançar com a agenda conservadora.

Para investidores e observadores internacionais, a capacidade de De La Espriella de navegar nesse ambiente político será decisiva. A Colômbia busca estabilidade econômica e segurança, e o novo presidente terá que entregar resultados concretos em um cenário de alta complexidade.

## O que muda para a América Latina e para o Brasil

A posse de De La Espriella reforça a tendência conservadora na região. Para o Brasil, que observa de perto os movimentos políticos vizinhos, a guinada colombiana pode influenciar o equilíbrio de forças no continente. O ciclo sempre vira, e a Colômbia agora se posiciona ao lado de outras nações de direita.

A relação com os Estados Unidos também tende a se intensificar, especialmente com a adesão ao programa "Escudo das Américas". A cooperação em segurança e combate ao narcotráfico deve ganhar novos contornos.

## Perguntas Frequentes

### Quem é Abelardo De La Espriella?

Abelardo De La Espriella é um advogado de direita, de 48 anos, apelidado de "El Tigre", líder do movimento Defensores da Pátria. Ele venceu a eleição presidencial de 2026 e tomou posse em 7 de agosto, em Cali.

### Onde ocorreu a posse presidencial?

A cerimônia ocorreu em Cali, no sudoeste do país, e não em Bogotá. Foi a primeira vez na história que a posse presidencial foi realizada fora da capital.

### Quais são as principais propostas de De La Espriella?

Ele propõe "mão firme" contra o crime e o tráfico de drogas, fortalecimento das Forças Armadas, construção de megaprisões, redução de impostos, diminuição do Estado em até 40% e retomada da exploração de hidrocarbonetos.

### O que é o programa Escudo das Américas?

É um programa fundado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao qual a Colômbia aderirá como uma das primeiras medidas do novo governo. O objetivo é a cooperação em segurança e combate ao narcotráfico.

### Como ficará o Congresso colombiano?

O Congresso está dividido, sem maioria de nenhum partido, mas a esquerda é a principal força. De La Espriella precisará formar coalizões para aprovar as reformas.

### Qual é o impacto econômico esperado?

A Colômbia é a quarta maior economia da América Latina. As reformas visam sanear as finanças, reduzir a pobreza e atender às necessidades em saúde, educação e emprego, o que pode atrair investimentos e melhorar a confiança do mercado.

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