# Esteves, do BTG, questiona rombos bilionários de empresas

> André Esteves, presidente do conselho do BTG Pactual, afirmou em painel do Grupo Esfera que a batalha institucional é a guerra que o Brasil não pode perder. Esteves questionou os rombos bilionários registrados por empresas inexpressivas, defendendo maior rigor institucional e responsabilidade na gestão corporativa e fiscalização do país.

*Mercado Valor · Economia · 14 de setembro de 2026 · Bianca Solano*

Em painel do Grupo Esfera, André Esteves, presidente do conselho do BTG Pactual, disse que a batalha institucional é a guerra que o Brasil não pode perder e questionou rombos bilionários de empresas inexpressivas.

O presidente do conselho de administração do BTG Pactual (BPAC11), André Esteves, afirmou nesta segunda-feira (14) que a maior preocupação do Brasil para os próximos anos não está na economia, mas no ambiente institucional. A declaração foi feita durante painel sobre perspectivas para 2030 promovido pelo Grupo Esfera.

Para o banqueiro, o país já consolidou avanços na estabilidade econômica. O próximo governo, disse, encontrará um cenário mais organizado do que o enfrentado por administrações anteriores. "Quem for sentar na cadeira no ano que vem vai pegar um Brasil muito mais arrumado do que outros governos do passado", afirmou, citando os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva como exemplos de transições em períodos de maior fragilidade macroeconômica.

## O que preocupa Esteves além da economia

Esteves separou dois campos de disputa. O econômico, segundo ele, tem caminho conhecido: equilíbrio fiscal e referências internacionais. "O tema econômico está fácil. Tem um caminho, tem uma fórmula para ser seguida, tem as experiências internacionais, tem os benchmarks internacionais. Não tem invencionices a serem feitas", disse.

Já o institucional exige vigilância permanente. Ele questionou o avanço da informalidade em setores regulados e os prejuízos causados por companhias de pouca relevância econômica. "Como é que você olha segmentos regulados da economia que, de repente, se tornaram 20% informais? Como é que você olha empresas inexpressivas criando rombos de dezenas de bilhões? Então, isso não pode acontecer. Tão simples quanto isso", declarou.

A avaliação é de que o país venceu etapas importantes, mas não pode recuar. "A gente ganhou várias batalhas, mas a gente aqui, nessa sala, não pode descansar, porque a guerra não está vencida. E essa guerra a gente não pode perder", afirmou.

## Juros, eleição e o carro com acelerador e freio

Sobre política monetária, Esteves defendeu que a taxa básica caia dos atuais 14% para algo próximo de 7%, condicionada ao avanço fiscal. "Nós não temos juros civilizatórios. Esse juro de 14% é sufocante para qualquer empresa, incluindo para os bancos. Ele é ruim para todo mundo", disse. Ele comparou a combinação de política fiscal expansionista com monetária contracionista a dirigir apertando acelerador e freio ao mesmo tempo.

O banqueiro afirmou que a queda dos juros beneficiaria especialmente a população de menor renda, com efeito que considerou superior ao de programas sociais.

Sobre a disputa eleitoral, projetou empate técnico e decisão no segundo turno. "Eu acho que a eleição vai ser 51 a 49. A gente só não sabe para quem. A gente está numa eleição virtualmente empatada", afirmou, mencionando vantagem "ligeira" da direita no eleitorado provável e o peso das eleições estaduais sobre a abstenção.

Para o setor produtivo, o recado prático é acompanhar o debate institucional com a mesma atenção dedicada à agenda fiscal. juros e decisões de investimento

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/8216como-voce-olha-empresas-inexpressivas-criando-rombos-dezenas-bilhoes8217-que/
