# 54% das mulheres já sofreram violência doméstica, mas só 11% dos homens admite

> Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão revela que 54% das mulheres brasileiras relataram ter sofrido violência doméstica, enquanto apenas 11% dos homens admitiram ter cometido agressão contra a parceira. A discrepância entre os dados indica que grande parte das agressões ainda é naturalizada pela sociedade.

*Mercado Valor · Economia · 29 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

Cinco em cada dez mulheres brasileiras afirmaram já ter sofrido violência doméstica, mas somente um em cada dez homens admite ter cometido agressão contra a parceira. A divergência revela como grande parte das agressões ainda é naturalizada, segundo estudo do Instituto Patrícia G

## 54% das mulheres já sofreram violência doméstica, mas somente 11% dos homens admite

Cinco em cada dez mulheres brasileiras afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência doméstica, em contrapartida somente um em cada dez homens admitem terem cometido algum tipo de agressão contra suas parceiras. Os dados fazem parte do estudo "20 anos da Lei Maria da Penha: Percepção da Sociedade Brasileira".

54% das mulheres brasileiras já sofreram violência doméstica, mas apenas 11% dos homens admitem ter cometido agressão contra a parceira. O estudo mostra que a divergência revela naturalização da violência. A violência psicológica é a mais frequente (42%), seguida pela física (25%) e moral (29%).

## A divergência entre respostas femininas e masculinas

Ao serem questionadas sobre já terem sofrido violência de um parceiro, 34% das mulheres responderam que sim. O número subiu para 54% quando cinco formas de violência tipificadas pela lei foram apresentadas. Enquanto isso, apenas 11% dos homens admitiram ter cometido agressão.

A diferença entre os percentuais mostra como grande parte das agressões ainda é naturalizada. Muitas mulheres só reconhecem a violência quando expostas a exemplos concretos, enquanto homens tendem a subnotificar suas próprias ações.

## Percepção sobre a Lei Maria da Penha

Questionados se a lei protege as mulheres apenas parcialmente contra a violência doméstica e familiar, 25% dos entrevistados afirmaram que sim, 67% consideraram "em parte" e somente 8% afirmaram que não.

Ao perguntar especificamente se a Lei Maria da Penha funciona "como deveria", 80% afirmaram que não. Um número semelhante de entrevistados (82%) também compreende que a legislação sozinha não é o suficiente para enfrentar a violência contra a mulher.

Apesar do conhecimento das entrevistadas sobre a Lei Maria da Penha, apenas 46% afirmaram saber que a lei alcança proteção contra a violência patrimonial.

## Os tipos de violência mais comuns

A violência psicológica é a mais frequente, tendo sido relatada por 42% das entrevistadas. Em seguida aparecem:

- Violência física: 25%
- Violência moral: 29%
- Violência sexual: 10%

Os números indicam que a violência psicológica supera as demais formas, muitas vezes sendo o primeiro estágio antes de agressões físicas.

## Barreiras que impedem o acesso à lei

Entre as maiores dificuldades apresentadas pelas vítimas para buscar ajuda, estão:

- Medo de represálias ou ausência de proteção efetiva contra o agressor: 68%
- Receio da impunidade dos agressores: 56%
- Lentidão da Justiça brasileira: 39%

Esses entraves explicam por que muitas mulheres não denunciam ou desistem do processo.

## Quem são os agressores

De acordo com o estudo, a violência costuma ser praticada por homens próximos na percepção das entrevistadas. Questionadas sobre quem seria o principal agente da violência:

- 88% apontaram parceiros ou ex-parceiros como agressores
- 33% citaram familiares ou parentes próximos
- 29% pessoas conhecidas
- 27% desconhecidos
- 9% afirmaram enxergar todos os homens igualmente como potenciais agressores
- 6% apontaram outras mulheres

## Como a violência molda o comportamento da sociedade

A pesquisa também mediu como a violência molda o comportamento das vítimas e da sociedade: 82% dos entrevistados afirmaram que se omitem ao presenciar agressões cometidas por homens.

Questionados se chamariam a polícia caso flagrassem um ato de violência, 70% das mulheres afirmaram que sim, enquanto somente 56% dos homens entrevistados teriam a mesma atitude.

## Canais de denúncia mais conhecidos

Entre as mulheres, a Delegacia da Mulher é apontada como o meio de denúncia mais conhecido (75%), seguido pelo número de emergência 180 (64%), a Polícia Militar (55%) e o Disque Denúncia (54%).

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio da Uber. No total, 1.500 pessoas de ambos os sexos foram entrevistadas em todas as regiões do país.

## Perguntas Frequentes

### Por que apenas 11% dos homens admitem violência doméstica?

A divergência entre os 54% das mulheres que sofreram violência e os 11% de homens que admitem indica naturalização das agressões. Muitos homens não reconhecem seus atos como violência.

### Qual o tipo de violência doméstica mais comum?

A violência psicológica é a mais frequente, relatada por 42% das entrevistadas, seguida pela moral (29%) e física (25%).

### A Lei Maria da Penha é eficiente?

80% dos entrevistados afirmaram que a lei não funciona "como deveria", e 82% consideram que a legislação sozinha não é suficiente para enfrentar a violência contra a mulher.

### Quais os principais obstáculos para denunciar?

Medo de represálias (68%), receio da impunidade (56%) e lentidão da Justiça (39%) são as principais barreiras.

### Como denunciar violência doméstica?

Os canais mais conhecidos são a Delegacia da Mulher (75%), o número 180 (64%), a Polícia Militar (55%) e o Disque Denúncia (54%).

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/54-mulheres-ja-sofreram-violencia-domestica-mas-somente-11-homens-admite/
