# 3tentos (TTEN3): CEO critica atraso no biodiesel e pede segurança jurídica

> 3tentos (TTEN3) teve o CEO João Marcelo Dumoncel criticando o atraso na mistura obrigatória de biodiesel no Brasil. Dumoncel defendeu segurança jurídica para o setor e comparou o país a Indonésia e Malásia, que já adotam percentuais maiores. A empresa vê potencial de exportação com a ampliação da mistura.

*Mercado Valor · Economia · 20 de julho de 2026 · Bianca Solano*

CEO da 3tentos, João Marcelo Dumoncel, critica atraso na mistura obrigatória de biodiesel e defende segurança jurídica. Ele compara Brasil a países como Indonésia e Malásia, que já adotam percentuais maiores, e vê potencial de exportação.

O atraso na elevação da mistura obrigatória de biodiesel continua no radar da 3tentos (TTEN3). Para o CEO da companhia, João Marcelo Dumoncel, o Brasil superou as dúvidas técnicas sobre a qualidade do combustível renovável e precisa avançar na implementação da lei que prevê o aumento gradual da mistura.

Segundo Dumoncel, a principal demanda do setor é por previsibilidade regulatória. Pela Lei do Combustível do Futuro, o país já deveria operar com a mistura B16 desde março deste ano. "Já tínhamos que estar no B16 desde março deste ano. Estamos atrasados nesse ponto e agora talvez possamos ir direto para um B17 ou fazer os dois aumentos muito próximos", disse em entrevista ao Money Times.

## Por que o CEO vê preocupação excessiva com o biodiesel?

Dumoncel acredita que parte da demora decorreu de uma cautela além do necessário em relação à qualidade do biodiesel. "Infelizmente, a gente ainda tem, nos biocombustíveis, uma certa preocupação que eu julgo excessiva no sentido de qualidade. Hoje os biocombustíveis são mais do que testados", afirmou.

Para ilustrar, ele compara o estágio brasileiro a outros mercados: "A Indonésia já está indo para B50 e nós estamos discutindo B16. Se nós tivéssemos qualquer mínimo problema, alguém estaria com B50? A Malásia está com B30, a Argentina e a Tailândia já estão acima de B10, além da Europa e dos Estados Unidos".

Segundo ele, a discussão muitas vezes deixa de ser técnica e se torna ideológica. "Às vezes, a discussão fica meio ideológica, no sentido de quem gosta e quem não gosta dessa pauta dos biocombustíveis."

## Impacto para investidores: o que esperar das ações da 3tentos?

No ano passado, as ações da 3tentos sentiram rapidamente a decisão do governo de adiar a implementação do B15. Os papéis chegaram a acumular queda de cerca de 13% em dois pregões, refletindo a frustração dos investidores com a interrupção do cronograma.

Questionado se um avanço para o B16 ou B17 poderia provocar movimento semelhante, mas no sentido contrário, Dumoncel evitou projeções. "Não dá para analisar nesse sentido, numa análise ampla." Ainda assim, ele reconheceu que qualquer aumento da mistura obrigatória é positivo para a companhia e para todo o setor.

## Biocombustíveis como estratégia de desenvolvimento

Na visão do CEO, o avanço do biodiesel e do etanol não representa apenas uma agenda ambiental, mas também uma estratégia de desenvolvimento econômico e segurança energética. "Acho que biodiesel e etanol são duas grandes ferramentas que o Brasil tem de industrialização, de geração de renda, de interiorização do desenvolvimento e de segurança nacional do ponto de vista energético."

Dumoncel lembra que a dependência global do petróleo continua sujeita a tensões geopolíticas. "As cadeias ligadas ao petróleo são superinstáveis em termos de geopolítica. Não é de hoje, isso acontece desde as décadas de 60 e 70. O Brasil precisa fazer essa matriz diversificada prevalecer."

Ele também avalia que o debate sobre os biocombustíveis costuma deixar em segundo plano sua contribuição para a redução de emissões. "O biocombustível talvez seja o melhor guerreiro que nós temos na luta contra as emissões. Às vezes parece que as pessoas esquecem disso e focam muito no curto prazo."

## 3tentos e o futuro do SAF

Questionado se a 3tentos pretende produzir SAF (combustível sustentável de aviação), Dumoncel disse que esse ainda não é um projeto da companhia. "Hoje não está no radar. Mas a 3tentos já está na cadeia dos biocombustíveis, historicamente com o biodiesel e agora também com o etanol. Talvez o SAF ou outros biocombustíveis avançados estejam no nosso radar no futuro."

Para ele, a tendência é que o papel dos biocombustíveis ganhe ainda mais relevância. "Hoje essa pauta já não é apenas brasileira. É uma pauta mundial."

## Perguntas Frequentes

### O que é a mistura B16 de biodiesel?

É a mistura de 16% de biodiesel ao diesel fóssil, prevista pela Lei do Combustível do Futuro para entrar em vigor em março de 2025.

### Por que o CEO da 3tentos critica o atraso?

Ele considera que as dúvidas técnicas sobre a qualidade do biodiesel já foram superadas e que a demora gera insegurança jurídica para investimentos.

### Como o atraso afeta as ações da 3tentos?

No ano passado, o adiamento do B15 provocou queda de cerca de 13% nos papéis em dois pregões. O CEO evita projeções, mas reconhece que qualquer aumento é positivo.

### A 3tentos vai produzir SAF?

Por enquanto, não. O CEO afirma que o SAF não está no radar atual, mas pode ser considerado indiretamente no futuro.

### Qual a vantagem do Brasil na produção de biocombustíveis?

Dumoncel destaca a matriz energética diversificada como vantagem competitiva, reduzindo a dependência de petróleo sujeito a tensões geopolíticas.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/3tentos-tten3-ceo-ve-preocupacao-excessiva-biodiesel-8216a-indonesia-ja-esta-ind/
