EUA: Gestor vê cenário favorável após vitória democrata
A vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA, garantindo controle da Câmara e Senado, cria um cenário favorável para os mercados, segundo Marcelo Cabral, gestor da Stratton Capital. O "gridlock" político, diferentemente do Brasil, é visto como positivo.
O resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com a vitória democrata na Câmara e no Senado, configura um cenário favorável para os mercados americanos, segundo Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital. O "gridlock" político, caracterizado pela divisão do poder entre partidos, é visto como uma notícia positiva pelo mercado financeiro.
De acordo com Cabral, a ausência de consenso político limita a interferência de Washington na economia. Essa "paralisia" nos EUA, ao contrário do Brasil, é celebrada por evitar mudanças legislativas drásticas e permitir que a economia prospere. O mercado tende a reagir bem a essa fragmentação do poder político.
Um segundo fator que anima investidores é a perspectiva de melhora no déficit público americano, o que alivia a pressão sobre as taxas de juros. Um Congresso democrata deve bloquear novas iniciativas de gastos e reduções de impostos, dificultando a expansão fiscal. Adicionalmente, a definição do cenário político reduz o prêmio de risco dos ativos, tendendo a valorizá-los.
Historicamente, o índice S&P 500 registrou valorização média de aproximadamente 15% nos 12 meses seguintes a eleições de meio de mandato desde 1950. No mercado de ações, um governo dividido preserva o ambiente regulatório atual, favorável às grandes empresas de tecnologia. Embora haja debates sobre a inteligência artificial, a paralisia legislativa torna improvável a aprovação de regras excessivamente restritivas para o setor.
Na renda fixa, a melhora das expectativas fiscais deve impulsionar os preços dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e, com a queda das taxas, o dólar tende a se enfraquecer diante de outras moedas fortes. O Goldman Sachs, em relatório, avalia que os democratas podem usar prazos de financiamento para tentar limitar a guerra com o Irã e reduzir tarifas, embora a reversão de cortes de gastos contraste com a expectativa de Cabral.