# Agrolend mira R$ 2 bi no agro com vacuo dos bancões e inadimplência recorde

> Agrolend, fintech de crédito para o agronegócio, projeta atingir R$ 2 bilhões em carteira até 2026. A meta de dobrar o volume atual aproveita a retração de grandes bancos no setor, impulsionada pelo aumento da inadimplência e das recuperações judiciais no agro.

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 24 de julho de 2026 · Rubens Athayde*

A Agrolend, fintech que se define como banco digital do agronegócio, planeja dobrar sua carteira de crédito para R$ 2 bilhões em 2026, aproveitando a retração dos grandes bancos diante do aumento da inadimplência e das recuperações judiciais no setor.

## No vácuo dos bancões, banco digital mira dobrar carteira no agro para R$ 2 bilhões em meio ao ciclo de RJs e inadimplência

A piora da inadimplência e o avanço das recuperações judiciais no agronegócio fizeram os grandes bancos reduzirem o apetite por crédito ao setor. É justamente nesse espaço que a Agrolend, fintech que se define como um "banco digital do agronegócio", vê sua principal oportunidade de crescimento. A instituição planeja praticamente dobrar sua carteira de crédito, de R$ 968 milhões no fim de 2025 para cerca de R$ 2 bilhões até o final de 2026.

A Agrolend quer dobrar sua carteira de crédito rural de R$ 968 milhões para R$ 2 bilhões em 2026, aproveitando a retração dos grandes bancos em meio à inadimplência recorde de 8,8% no crédito rural para pessoas físicas, segundo o Banco Central. A fintech aposta em critérios seletivos e baixa alavancagem para crescer onde os bancões recuam.

## Por que os grandes bancos reduziram o crédito rural?

Segundo Alan Glezer, co-CEO e fundador da Agrolend, o atual momento do crédito rural é consequência de um ciclo iniciado entre 2021 e 2022. Na época, juros historicamente baixos e a soja próxima de R$ 180 por saca estimularam produtores a ampliar área, comprar máquinas e aumentar a alavancagem.

Com a posterior alta dos juros, a queda dos preços das commodities e o aumento dos custos de produção, a conta deixou de fechar para uma parcela relevante do setor. "A gente vê o ciclo de recuperações judiciais aumentando, a inadimplência subindo", afirmou Glezer em entrevista ao Money Times. "O produtor está endividado e, pagando juros nesse patamar, a conta fica bastante inviável. O preço da soja bateu R$ 180 e voltou para R$ 120."

### Inadimplência recorde no crédito rural

Segundo dados do Banco Central, a inadimplência das operações de crédito rural com atraso superior a 90 dias para pessoas físicas alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026, o maior patamar da série histórica. Esse indicador ajuda a explicar a retração dos bancos tradicionais.

## Quem são os bancos que recuaram?

Glezer cita que instituições como Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Caixa ganharam relevância no financiamento ao setor entre 2019 e 2023, período de juros baixos e preços elevados das commodities. Agora, diante do primeiro grande ciclo de deterioração do crédito desde 2016, a reação natural foi reduzir o risco.

"Agora, quando a gente vivencia um ciclo de inadimplência mais forte, a reação natural dos bancos é pôr o pé no freio", disse Glezer. "A mesma coisa acontece com o Banco do Brasil. O apetite desses bancos para crescer no agro está mais restrito."

## A estratégia da Agrolend: crescer onde outros recuam

Segundo Glezer, a fintech começou a endurecer seus critérios de crédito ainda em 2023, antes da deterioração mais intensa do mercado. "A gente freiou muito antes. Como a gente freiou muito antes, entramos neste momento da crise muito pouco alocados."

Hoje, a instituição possui cerca de R$ 650 milhões de patrimônio líquido para uma carteira próxima de R$ 800 milhões, um nível de alavancagem bem inferior ao observado em bancos tradicionais. "Um banco normalmente opera com uma carteira equivalente a cerca de dez vezes o patrimônio líquido. Nós estamos muito pouco alavancados vis-à-vis uma instituição financeira tradicional."

Isso permite aumentar a exposição justamente quando outros concorrentes reduzem a oferta. "Nós entramos nesse momento com maior apetite, selecionando a dedo as operações e os clientes", afirmou.

### Inadimplência controlada da Agrolend

Mesmo diante do aumento das recuperações judiciais no setor, Glezer afirma que a carteira da Agrolend segue apresentando indicadores confortáveis. A inadimplência acima de 90 dias permanece abaixo de 1%, indicador considerado bastante positivo pela companhia.

"Isso reflete a cautela e o conservadorismo que adotamos há dois anos, quando mudamos o perfil da carteira e elevamos muito a barra de aprovação", disse o executivo. "Observamos recuperações judiciais e, obviamente, estivemos envolvidos em algumas delas, como todos os outros players."

## Oportunidade além dos bancos brasileiros

Na avaliação do executivo, a restrição de crédito não ocorre apenas entre os bancos brasileiros. Grandes multinacionais de insumos agrícolas também reduziram a oferta de financiamento ao agronegócio após a alta dos juros no exterior.

"As grandes químicas da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos reduziram essa oferta", afirmou Glezer. "No Japão, por exemplo, o juro de longo prazo era zero e hoje está entre 3% e 4%. Essa combinação das multinacionais reduzindo crédito lá fora e dos bancos locais diminuindo o apetite criou uma demanda enorme por crédito no agro."

## Como a Agrolend pretende competir?

Glezer afirma que a Agrolend não pretende competir apenas pela oferta de crédito, mas pela velocidade na aprovação das operações e pela capacidade de estruturar soluções sob medida para empresas do agronegócio. A instituição ampliou seu foco e hoje atende não apenas produtores rurais, mas também grandes empresas do setor e subsidiárias de multinacionais.

"A gente tem atendido mais grandes empresas do agro. Esse é o modelo que mais cresceu recentemente", disse. "Hoje a gente consegue fazer operações de R$ 50 milhões ou R$ 100 milhões muito rapidamente."

## Perspectivas para o agronegócio

Apesar disso, Glezer não acredita que o ciclo de deterioração tenha terminado. "A gente já viu os produtores que estavam pior posicionados saindo do mercado. Mas esse ciclo ainda não terminou. A melhora estrutural depende principalmente de uma queda mais consistente dos juros."

Para o longo prazo, o executivo mantém uma visão positiva. "O agro é um setor cíclico. O Brasil continua sendo extremamente competitivo, com ganhos de tecnologia, produtividade e capacidade de expandir a produção. É preciso olhar além do momento atual."

## Perguntas Frequentes

### O que é a Agrolend?

É uma fintech que se define como "banco digital do agronegócio", focada em crédito rural e soluções financeiras para produtores e empresas do setor.

### Qual a meta de carteira da Agrolend para 2026?

A fintech quer dobrar sua carteira de crédito de R$ 968 milhões para cerca de R$ 2 bilhões até o fim de 2026.

### Por que os grandes bancos estão reduzindo crédito rural?

Devido ao aumento da inadimplência, que atingiu 8,8% no primeiro trimestre de 2026, e ao avanço das recuperações judiciais no setor.

### Qual a inadimplência atual da Agrolend?

Segundo a empresa, a inadimplência acima de 90 dias permanece abaixo de 1%.

### A Agrolend atende apenas produtores rurais?

Não. A fintech ampliou o foco e hoje atende também grandes empresas do agronegócio e subsidiárias de multinacionais.

### O ciclo de deterioração do crédito rural já terminou?

Segundo o co-CEO Alan Glezer, não. A melhora estrutural depende de uma queda mais consistente dos juros.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/credito-e-dividas/vacuo-bancoes-banco-digital-mira-dobrar-carteira-agro-r-2-bilhoes-meio-ao-ciclo-/
