# Tribunal suspende provisoriamente reforma de Trump sobre voto por correspondência

> Um tribunal de apelação dos EUA rejeitou o pedido do Departamento de Justiça para concluir a reforma de voto por correspondência de Trump antes das eleições de novembro. A decisão mantém em vigor uma liminar que declara ilegais as medidas do presidente.

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 26 de julho de 2026 · Rubens Athayde*

## Tribunal suspende provisoriamente reforma de Trump sobre voto por correspondência

Um tribunal de apelação dos Estados Unidos decidiu manter a liminar que impede a implementação da reforma de voto por correspondência proposta por Donald Trump. A decisão, anunciada em 25 de junho, ocorre em um momento crítico, a poucos meses das eleições legislativas de novembro. O painel de três juízes rejeitou um pedido do Departamento de Justiça para concluir a reforma antes do pleito, sustentando a decisão de um juiz de Boston que declarou ilegais as medidas do presidente.

A liminar do juiz de Boston representa um obstáculo significativo à capacidade do governo de implementar a ordem executiva de Trump, que, segundo ele, pretende combater fraudes eleitorais. No entanto, o presidente tem sido criticado por alegações sem provas de que o voto por correspondência favorece seus oponentes democratas. Embora a decisão do tribunal não tenha um efeito nacional imediato, ela impede que as agências federais apliquem a ordem executiva em cerca de vinte estados e no Distrito de Columbia.

## Contestações judiciais e impactos

Além do caso em Boston, diversas contestações judiciais ainda estão pendentes contra as diretrizes de Trump. Entre as ações está uma movida pelo Comitê Nacional Democrata e líderes do partido no Congresso. O Departamento de Justiça, em petições anteriores, sinalizou que poderia levar a disputa à Suprema Corte dos Estados Unidos.

O Tribunal de Apelações do Primeiro Circuito determinou que os estados que entraram com a ação demonstraram, neste estágio inicial, que estavam sendo prejudicados pelas ações do presidente, possuindo legitimidade ativa para apresentar suas reivindicações. Os juízes Gustavo Gelpí e Julie Rikelman, que assinaram um parecer conjunto, enfatizaram que a ordem de Trump havia gerado uma "tensão incrível" sobre os funcionários eleitorais estaduais.

"Entre os prazos reduzidos e as mudanças previstas nos processos eleitorais dos estados, os autos do processo sumário indicam que a ordem de Trump já 'gerou uma tensão incrível' sobre os funcionários eleitorais estaduais e suas equipes", afirmaram os juízes em sua análise, ressaltando a preocupação com a implementação das novas regras eleitorais.

Por outro lado, o juiz Joshua Dunlap, que foi nomeado durante o segundo mandato de Trump, apresentou uma opinião divergente, indicando que teria permitido que uma parte da ordem contestada fosse mantida. Essa seção exigia que o Departamento de Segurança Interna preparasse uma lista de eleitores cidadãos americanos potencialmente elegíveis, orientando os estados na organização das eleições.

## Reações e implicações políticas

A coalizão de estados que liderou a ação, incluindo procuradores-gerais da Califórnia, expressou sua satisfação com a decisão do tribunal, que impede a aplicação imediata das diretrizes de Trump. No entanto, procuradores-gerais estaduais republicanos intervieram no caso, apoiando a ordem do presidente. A disputa se intensifica à medida que as eleições se aproximam, com defensores de diferentes espectros políticos buscando inclinar as decisões judiciais em seu favor.

O governo federal argumentou que a lista de eleitores proposta pelo Departamento de Segurança Nacional serviria apenas como um recurso para as jurisdições locais, um ponto que foi contestado pelos estados que alegaram que a redação da ordem executiva ameaçava penalizar aqueles que não utilizassem as listas federais para determinar a elegibilidade dos eleitores.

## O papel do Serviço Postal

Outra questão levantada pela reforma de Trump é a renovação do formato da correspondência eleitoral pelo Serviço Postal dos Estados Unidos. A ordem exigia que os estados coordenassem com a agência suas listas de residentes aptos a receber cédulas pelo correio. Os estados que contestaram a medida afirmaram que isso transformaria o Serviço Postal em um "regulador eleitoral", conferindo à agência a capacidade de recusar a entrega das cédulas.

Os apoiadores da reforma a promovem como uma salvaguarda contra fraudes eleitorais, enquanto críticos, incluindo democratas e organizações de direitos eleitorais, argumentam que se trata de uma ação ilegal que visa interferir no gerenciamento estatal das eleições e criar confusão antes do pleito.

## O contexto eleitoral

Com as eleições legislativas de novembro se aproximando, a disputa em torno da reforma de Trump ganha ainda mais relevância. Em junho, o juiz de Boston já havia declarado várias seções da ordem de Trump como "inconstitucionalmente nulas", impedindo sua execução nas jurisdições onde a ação foi movida. Essa decisão concretiza um importante avanço para os funcionários estaduais que buscam garantir a integridade do processo eleitoral.

O Comitê Nacional Democrata, por sua vez, também buscou a intervenção do Tribunal de Apelações do Distrito de Columbia, solicitando que as diretrizes de Trump fossem bloqueadas antes das eleições. Em meio a esse cenário, as tensões entre as diferentes facções políticas se intensificam, e as disputas jurídicas em torno do voto por correspondência se tornam um tema central no debate eleitoral.

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