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Selic em 13,75%: BC pausa corte; comunicado ditará Bolsa e dólar

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão marca uma pausa no ciclo de cortes da taxa. Como a manutenção estava amplamente precificada, a expectativa de analistas consultados pelo InfoMoney é que a reação dos mercados na quinta-feira (5) dependa mais do tom do comunicado do que da própria decisão. A movimentação mais forte nos ativos financeiros é esperada a partir de sinalizações sobre a política fiscal do novo governo.

No comunicado, o BC passou a descrever o ambiente externo como "mais adverso", apontou moderação mais acentuada da atividade e primeiros sinais de desaquecimento do mercado de trabalho, além de destacar a aceleração da inflação e dos núcleos. A projeção para o segundo trimestre de 2028 subiu de 3,2% para 3,5%. O Comitê também retirou o trecho sobre a magnitude total do ciclo de calibração, indicando que os cortes podem ter chegado ao fim, ao menos por ora.

Josias Bento, especialista em mercado de capitais e sócio da GT Capital, avalia que a reação desta quinta estará "muito mais relacionada à interpretação do comunicado e à percepção de risco fiscal". Segundo ele, o investidor continua exigindo prêmio para carregar ativos brasileiros. "Enquanto não tivermos maior previsibilidade fiscal, a Bolsa pode continuar pressionada e os juros longos permanecer elevados", disse. Bento classificou o comunicado como duro, mas coerente, e destacou a piora das expectativas de inflação como ponto de atenção, projetando a Selic em 13,75% até o fim do ano.

José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, ressalta que o Copom deu pouca atenção a movimentos recentes na economia brasileira, como a queda de quase 20 pontos percentuais nas ações e o deslocamento de dois pontos percentuais na curva de juros nos últimos dez dias. Camargo avalia que esse movimento dos preços dos ativos pode persistir e afetar a inflação, possivelmente levando o próximo Copom a elevar a taxa de juros.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, acredita que o tom do comunicado pode ajudar a conter prêmios na curva de juros, ao reforçar a disposição do BC em manter a política apertada. Para a atividade econômica, Kayo aponta que uma Selic em patamar contracionista por tempo prolongado deve reforçar a desaceleração do crédito e do consumo. O economista aponta como ponto central acompanhar como o novo governo vai endereçar as contas públicas. A expectativa da Nomad é de manutenção da Selic em 13,75% na reunião de dezembro.

Rubens Athayde
Economista de mercado
Economista de mercado.
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