Golpes na internet: 45 milhões relatam tentativas de fraude
Quase um terço dos usuários de internet no Brasil, cerca de 45 milhões de pessoas com 16 anos ou mais, sofreu tentativas de golpe com uso de dados pessoais. Os dados são da terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais, do Cetic.br, apresentada no 17° Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, em São Paulo. Além disso, 20% dos entrevistados relataram ter sido vítimas efetivas desse tipo de crime.
A pesquisa, realizada em dezembro de 2025, ouviu 2,5 mil pessoas em entrevistas online. É a primeira vez que o Cetic.br investiga o tema perguntando se as pessoas identificam as tentativas de golpes ou se foram vítimas. Segundo Winston Oyadomari, um dos coordenadores do estudo, o assunto é difícil de abordar porque as pessoas ficam constrangidas e abaladas.
Os golpes ocorrem por vários canais. O principal são os aplicativos de mensagem (84% dos casos), seguidos por ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), email (69%) e redes sociais (67%). Oyadomari destacou que pessoas que usam apenas o celular reportam mais tentativas por sites ou aplicativos falsos do que quem também usa computador, o que pode indicar maior vulnerabilidade do dispositivo.
A maioria das vítimas citou estresse ou mal-estar. Os golpes não se limitam ao roubo de dinheiro, mas incluem a perda de acesso a contas, como o e-mail usado no Gov.br, o que pode prejudicar o acesso a serviços públicos. Pessoas com menor escolaridade reportaram todas as situações com mais frequência, e o estrago é maior entre elas. Para Oyadomari, é preciso discutir proteção de dados junto com habilidades digitais.
A pesquisa também investigou o uso de inteligência artificial generativa. Entre os usuários, 66% disseram estar preocupados com o uso de dados pessoais pelas empresas responsáveis pelas ferramentas. O uso para trabalho ou estudo é o mais comum (73%), mas há casos de uso para suporte emocional e companhia. Dados de saúde são compartilhados por 52% dos usuários, o que preocupa por serem considerados sensíveis.
No setor empresarial, 69% das empresas relataram armazenar dados pessoais de clientes. A biometria é o dado mais armazenado (31%), seguida por dados de saúde (26%). Apenas 16% das empresas nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO). No setor público, a presença de áreas de privacidade subiu de 36% em 2023 para 42% em 2025, impulsionada por prefeituras de até 10 mil habitantes.