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Custo de Vida: Pressão Econômica Desafia Reeleição de Lula

A pressão do custo de vida representa um desafio considerável para o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trabalhadores como Kleyton Zacarioto, de 39 anos, relatam a diminuição do movimento em seus negócios devido à alta contínua dos preços dos alimentos, o que o leva a rejeitar a candidatura de Lula, apesar de reconhecer feitos anteriores do presidente. Zacarioto expressa a dificuldade de quem ganha um salário mínimo em prosperar.

Lula, por sua vez, tem pedido paciência aos eleitores, destacando o baixo índice de desemprego, a redução da desigualdade e a desaceleração da inflação nos últimos meses como sinais de melhora econômica. No entanto, a frustração de Zacarioto espelha um dilema global pós-pandemia: a dificuldade de governantes em convencer eleitores de que indicadores econômicos positivos se traduzem em melhorias concretas em suas vidas. "Eu sei que ainda não está bom, mas eu vou garantir: a inflação seguirá sob controle", prometeu Lula em material de campanha, afirmando compreender a dificuldade de fechar as contas no fim do mês.

Pesquisas indicam uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro, que tem feito da percepção de que os salários rendem menos um dos pilares de sua campanha. Levantamentos sugerem que a economia é um dos principais fatores que dificultam o avanço de Lula. Uma pesquisa Quaest de setembro apontou que quase metade dos brasileiros considera que a economia piorou no último ano. A campanha de Lula respondeu com o site "Mercado da Mentira" e uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a campanha do senador por disseminação de informações falsas sobre preços.

Especialistas apontam um descompasso entre indicadores macroeconômicos favoráveis e a realidade vivenciada pelas famílias. "Todos os grandes números dizem que este foi um bom governo", avalia o analista político Thomas Traumann. "O fato é que as pessoas comuns simplesmente não concordam com isso." Traumann traça paralelos com a situação do presidente dos EUA, Joe Biden, em 2024, e o fenômeno "vibecession", onde dados econômicos positivos não se alinham com o sentimento negativo dos consumidores. Felipe Nunes, CEO da Quaest, complementa que o eleitor avalia a economia pela capacidade de pagar contas, consumir e realizar planos.

O aumento dos preços dos alimentos e o peso das dívidas explicam a percepção de pouca melhora no poder de compra. Embora a inflação de alimentos tenha desacelerado e até recuado entre junho e agosto, os preços permanecem significativamente acima dos níveis pré-pandemia. Em junho, o comprometimento da renda com dívidas (excluindo financiamentos imobiliários) atingiu o recorde de 26,6%, segundo o Banco Central. O endividamento é agravado por fintechs com crédito fácil a juros elevados e pelo boom das apostas online. A taxa básica de juros, em 13,75%, também contribui para a pressão. Segundo o IBGE, o IPCA registrou variação de -0,322 em agosto 2026.

Recentemente, o governo anunciou medidas para aumentar a renda, como um reajuste de 15% no Bolsa Família. Contudo, pesquisas indicam que essas iniciativas ainda não impactaram significativamente o eleitorado. Carlos Alves da Silva, que trabalha há 15 anos no mercado onde atua Zacarioto, expressa ceticismo sobre a sobrevivência de seu negócio em caso de reeleição de Lula, citando o endividamento crescente. Flávio Bolsonaro propõe cortes de impostos e melhorias em infraestrutura e armazenagem, enquanto Lula foca em produção agrícola e crédito rural. Conceição Melquíades, de Manaus, manifesta não ter visto propostas concretas que abordem suas preocupações com contas de luz e alimentos, e ainda não definiu seu voto.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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