# Parte da dívida dos brasileiros é pouco sensível à política monetária

> O endividamento das famílias no Brasil é tema de debate no Banco Central. Gabriel Galípolo, presidente do BC, aponta que parte da dívida é pouco sensível à política monetária. Conheça os detalhes.

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 24 de julho de 2026 · Rubens Athayde*

## Parte da dívida dos brasileiros é pouco sensível à política monetária, diz Galípolo

O endividamento das famílias no Brasil é um tema relevante de discussão no Banco Central. Gabriel Galípolo, presidente da instituição, destacou que uma boa parte das dívidas está relacionada a créditos que não possuem garantia, o que torna essa dívida pouco sensível às decisões de política monetária.

## O impacto da pandemia no consumo

Galípolo participou de um painel na Expert XP 2026 e explicou que a pandemia de covid-19 atuou como um catalisador de mudanças no perfil de consumo global. Esse fenômeno contribui para a expansão do endividamento das famílias. Um dos fatores mencionados foi o aumento na utilização dos cartões de crédito, que no Brasil foi potencializado pela inclusão financeira promovida pelo Pix.

Esse cenário, aliado à bancarização trazida pelas fintechs, resultou em uma migração gradual dos cidadãos brasileiros para um crédito de qualidade inferior. O crescimento do volume de dívidas, em conjunto com as altas taxas de juros, está gerando um efeito bola de neve. Galípolo comentou que "vários entrantes tiveram como estratégia dar cartão de crédito".

## Juros do cartão de crédito versus taxa básica

Para evidenciar a pouca sensibilidade das dívidas às decisões de juros do Banco Central, Galípolo destacou que a taxa de juros do cartão de crédito rotativo está atualmente em 15% ao mês, o que representa cerca de 400% ao ano. Em contraste, a taxa básica da economia, definida pelo Banco Central para conter a inflação, está em 14,25% ao ano. O presidente do BC atribui essa discrepância à cultura de hiperinflação que o Brasil enfrenta.

## A cadeia de crédito no Brasil

Esse modelo de crédito, segundo Galípolo, envolve aproximadamente 100 milhões de pessoas. Dentre essas, 60 milhões utilizam o cartão de crédito à vista, quitando suas dívidas no mês seguinte ou parcelando a operação. Dessa forma, muitos conseguem pagar mensalmente, sem juros.

Entretanto, as outras 40 milhões de pessoas não conseguem quitar integralmente o crédito contratado e acabam arcando com os juros de 15% ao mês. Esses juros, por sua vez, "sustentam" aqueles que parcelam suas compras, criando uma dinâmica complexa no sistema de crédito brasileiro.

A análise de Galípolo traz à tona a importância de entender como a estrutura do crédito e as decisões de política monetária interagem no cotidiano dos brasileiros. Com a crescente inclusão financeira e as inovações no setor bancário, é fundamental que as famílias estejam atentas às condições de crédito e às suas implicações financeiras.

## FAQs

### O que diz Galípolo sobre a sensibilidade da dívida à política monetária?

Gabriel Galípolo afirmou que uma parte significativa da dívida das famílias brasileiras é pouco sensível às decisões de política monetária, especialmente no que diz respeito ao uso de cartões de crédito.

### Como a pandemia afetou o perfil de consumo no Brasil?

A pandemia de covid-19 catalisou mudanças no perfil de consumo, levando a um aumento na utilização de cartões de crédito, o que foi potencializado pela inclusão financeira proporcionada pelo Pix.

### Qual a taxa de juros do cartão de crédito rotativo atualmente?

Atualmente, a taxa de juros do cartão de crédito rotativo está em 15% ao mês, o que equivale a cerca de 400% ao ano, segundo Galípolo.

### Quantas pessoas no Brasil utilizam cartão de crédito?

Estima-se que cerca de 100 milhões de pessoas estão envolvidas em uma cadeia de crédito, sendo que 60 milhões utilizam o cartão de crédito à vista ou parcelado.

### Como a cultura de hiperinflação impacta as taxas de juros?

A cultura de hiperinflação pode ser um fator que contribui para a discrepância entre a taxa de juros do cartão de crédito rotativo e a taxa básica da economia, conforme ressaltado por Galípolo.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/credito-e-dividas/parte-divida-brasileiros-pouco-sensivel-politica-monetaria-diz-galipolo/
