# Oposição pode ter maioria no Senado em 2027; entenda limites

> A composição do Senado pode sofrer alterações significativas após as eleições deste domingo. Com dois terços das vagas em disputa, projeções apontam para um crescimento da oposição ao governo Lula, embora os números atuais sugiram limites para a aprovação de mudanças constitucion

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 04 de outubro de 2026 · Bianca Solano*

A eleição deste domingo tem potencial para remodelar significativamente o Senado Federal. Com 54 das 81 cadeiras em jogo, levantamentos estaduais indicam um avanço expressivo de candidatos de oposição ao governo Lula. Contudo, as projeções disponíveis apontam que esse grupo ainda ficaria abaixo dos quóruns necessários para aprovar sozinho mudanças constitucionais ou para condenar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em processos de impeachment.

Atualmente, 27 vagas têm candidatos de oposição em posição competitiva, de acordo com as pesquisas estaduais mais recentes. Outros 23 nomes são classificados como aliados do governo e quatro como independentes. Se esses resultados se confirmarem nas urnas, os 27 eleitos de oposição se somariam aos 16 senadores do grupo cujos mandatos se estendem até 2031. A bancada oposicionista chegaria a 43 integrantes, um aumento em relação aos 34 atuais.

Este número seria suficiente para garantir uma maioria absoluta no Senado, mas ficaria aquém de outros patamares cruciais: os 49 votos necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e os 54 votos exigidos para condenar autoridades, como ministros do STF, em processos de impeachment. O Partido Liberal (PL), sigla de Flávio Bolsonaro, desponta com o maior número de candidatos entre os dois primeiros colocados nas pesquisas estaduais, com cerca de 13 nomes. O MDB aparece com oito e o PT, com seis.

O avanço da oposição é uma prioridade para a campanha de Flávio Bolsonaro, que tem apoiado candidaturas com foco em maior pressão sobre o Supremo. Do lado do governo, Lula tem intensificado os pedidos de voto em aliados para o Senado, demonstrando preocupação em governar sem uma maioria na Casa. A disputa ganhou contornos mais acirrados após a crise envolvendo o Banco Master e ministros do STF, levando candidatos a defenderem algum tipo de responsabilização ou investigação da Corte.

Os diferentes quóruns no Senado dimensionam o alcance de uma eventual mudança na composição da Casa. Com 41 votos, alcança-se a maioria absoluta, número exigido para aprovar a indicação de um ministro do STF. Já 49 votos (três quintos da Casa) são suficientes para aprovar uma PEC em dois turnos. Para a condenação em processo de impeachment de um ministro do STF, são necessários 54 votos (dois terços do Senado).

No cenário desenhado pelas pesquisas estaduais, uma bancada oposicionista de 43 integrantes superaria apenas o primeiro desses patamares. Para atingir os demais, dependeria do apoio de senadores classificados como independentes ou aliados do governo. A eleição para senador, no entanto, apresenta particularidades como dois votos por eleitor e um número elevado de candidatos, além de altos níveis de indefinição. Pesquisas recentes indicam que 59% dos eleitores ainda não definiram seus dois votos para o Senado.

Mesmo com a projeção de uma bancada oposicionista de 43 senadores, decisões que exigem três quintos ou dois terços da Casa continuariam dependendo de negociações com outros blocos. O tamanho dessa mudança no Senado dependerá de disputas ainda abertas e de um eleitorado que, a poucos dias da votação, permanece indeciso quanto às escolhas para a Casa.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/credito-e-dividas/oposicao-pode-controlar-maioria-senado-2027-veja-limites-desse-avanco/
