# Lula perde força no Nordeste; Flávio Bolsonaro mantém redutos

> A disputa eleitoral de 2026 apresenta um mapa com similaridades ao de 2022, mas com nuances importantes no tamanho das forças. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém liderança no Nordeste, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) concentra seus melhores resultados no 

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 05 de outubro de 2026 · Caetano Vidal*

O cenário eleitoral para 2026 espelha em grande parte o de 2022, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantendo sua base eleitoral no Nordeste e o senador Flávio Bolsonaro (PL) concentrando apoio no Sul, Centro-Oeste e em partes do Sudeste. Pesquisas estaduais recentes da Quaest e Datafolha indicam que Lula aparece numericamente à frente em 11 estados, Flávio lidera em oito unidades e no Distrito Federal, e sete estados apresentam empate técnico. Em 2022, Lula venceu o primeiro turno em 14 estados e Jair Bolsonaro em 12, além do DF.

A análise comparativa dos percentuais revela que Lula ainda não recuperou em seus principais redutos as votações alcançadas em 2022. Flávio, por sua vez, herdou a geografia eleitoral do pai, mas as pesquisas atuais não apontam uma expansão clara de sua votação em relação a Jair Bolsonaro em 2022. É crucial notar que os números de 2022 são resultados de urnas, enquanto os de 2026 são pesquisas, o que inclui indecisos e outros fatores.

O Nordeste continua sendo o principal território de Lula, com liderança nos nove estados da região. Em seis deles, a diferença para Flávio ultrapassa 30 pontos. No entanto, as margens são inferiores às registradas em 2022. Na Bahia, por exemplo, Lula teve 69,7% em 2022 e as pesquisas recentes registram 58%, contra 23% de Flávio. No Piauí, o percentual de Lula caiu de 74,3% para 59%, enquanto Flávio mantém patamar similar ao do pai (20% contra 19,9%).

Minas Gerais, que terminou o primeiro turno de 2022 com Lula em 48,3% e Jair Bolsonaro em 43,6%, agora apresenta empate técnico nas pesquisas, com Lula com 39% e Flávio com 37% segundo o Datafolha. Ambos os candidatos aparecem abaixo de seus respectivos campos políticos de 2022, mas a margem entre eles permanece estreita. A preservação de Minas Gerais é vital para Lula, enquanto para Flávio, aproximar-se do presidente no estado mantém a fronteira competitiva estabelecida pelo pai.

Em São Paulo, o estado com o maior colégio eleitoral, Jair Bolsonaro teve 47,7% no primeiro turno de 2022, contra 40,9% de Lula. Pesquisas recentes mostram Flávio com 38% e Lula com 33%. A distância entre eles permanece próxima, cinco pontos percentuais agora, contra quase sete em 2022. Flávio se beneficia do alinhamento com o governador Tarcísio de Freitas, com 63% dos eleitores do governador escolhendo Flávio para presidente. O Rio de Janeiro segue a mesma configuração, com Flávio numericamente à frente, embora com percentual inferior ao do pai em 2022.

O Paraná e Santa Catarina continuam como redutos de Flávio. No Paraná, Jair Bolsonaro teve 55,3% em 2022; Flávio aparece agora com 40%. Em Santa Catarina, Bolsonaro obteve 62,2%, e o filho registra 50%. O Rio Grande do Sul apresenta disputa mais apertada, com Flávio a 35% e Lula a 31%, em empate técnico. O Centro-Oeste também mantém a vantagem histórica do bolsonarismo, com Flávio liderando em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, embora com percentuais menores que os de Jair Bolsonaro em 2022.

No Norte, o mapa é menos uniforme, com Lula à frente no Pará e Amapá, e Flávio liderando em Acre, Rondônia e Roraima. Estados como Amazonas e Tocantins apresentam empate técnico. O principal sinal para Lula é a redução de seus percentuais em estados onde venceu amplamente em 2022, como no Pará (de 52,2% para 37%) e Amazonas (de 49,6% para 38%). Os dados estaduais não mostram uma expansão generalizada da votação bolsonarista; Flávio aparece abaixo do desempenho de Jair Bolsonaro na maioria dos estados comparáveis. A força de Flávio reside na preservação da geografia eleitoral, em regiões como Sul, Centro-Oeste e estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Lula enfrenta questão semelhante, com recuos em estados onde venceu com margens amplas, o que pode impactar o saldo de votos que compensou derrotas em outras regiões em 2022. O mapa atual sugere continuidade territorial, com a variável central para 2026 sendo o tamanho das margens de vantagem e manutenção do desempenho dos respectivos campos políticos.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/credito-e-dividas/onde-lula-perde-forca-relacao-2022-onde-flavio-mantem-redutos-bolsonaro/
