BNDES estuda novo modelo para clubes de futebol brasileiros
Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), defendeu uma profunda alteração no modelo de gestão dos clubes de futebol no Brasil. Ele confirmou que a instituição financeira está conduzindo estudos e analisando experiências internacionais aplicáveis ao setor esportivo nacional. A declaração foi feita durante o Seminário Brasil Hoje, promovido pelo Grupo Esfera.
"Estamos estudando experiências internacionais para mudar o nosso modelo de gestão. Precisamos mudar o modelo. Os clubes se endividam sem prudência. Temos talento, mas falta gestão", afirmou Mercadante. A avaliação do presidente do BNDES reflete um contexto de alto endividamento entre as equipes brasileiras.
Um levantamento da Sports Value aponta que os 20 maiores clubes do país em receita fecharam o ano de 2025 com um total de R$ 16 bilhões em dívidas. Este valor representa um aumento de 16% em relação aos R$ 13,8 bilhões registrados em 2024. O crescimento do endividamento ocorreu mesmo diante de um aumento de 36% no faturamento anual, que alcançou R$ 15 bilhões. Apesar da alta nas receitas, o grupo de clubes apresentou um déficit de R$ 1,1 bilhão no exercício, conforme dados da consultoria.
O Corinthians lidera o ranking de clubes mais endividados, com R$ 2,45 bilhões em dívidas. Em seguida, aparecem Atlético-MG (R$ 2,29 bilhões) e Botafogo (R$ 1,57 bilhão). Cruzeiro e Palmeiras completam o grupo das cinco maiores dívidas, ambos com aproximadamente R$ 1,15 bilhão, segundo os dados referentes ao fechamento de 2025. Mercadante não especificou quais modelos internacionais estão sendo analisados nem estabeleceu um prazo para a conclusão dos estudos do BNDES.