Marca pessoal deixa de ser ferramenta de negócios para assessores
A construção de marca pessoal evoluiu de uma simples vitrine para uma ferramenta estratégica no setor de assessoria de investimentos. Dados revelam que 67% das pessoas pesquisam produtos nas redes sociais antes de comprar.
Marca pessoal deixa de ser vitrine e vira ferramenta de negócios para assessores
A influência das redes sociais está transformando a maneira como assessores e escritórios se relacionam com seus clientes. De acordo com uma pesquisa do Instituto Ilumeo, mais de 60% dos investidores brasileiros levam em conta a opinião de influenciadores financeiros antes de tomar decisões de investimento. Essa nova dinâmica demonstra que a construção de marca pessoal deixou de ser apenas uma vitrine e passou a ser uma parte crucial da estratégia comercial das empresas do setor.
O impacto das redes sociais na tomada de decisão
Dados apresentados durante um painel na Expert XP mostram que 67% das pessoas pesquisam produtos e serviços nas redes sociais antes de realizar uma compra. Essa informação reforça o papel das plataformas digitais como porta de entrada para novos clientes, mudando o foco da comunicação entre assessores e investidores.
Os executivos que participaram do painel ressaltaram que o cenário atual leva os escritórios e assessores a enxergarem a produção de conteúdo como uma ferramenta fundamental para geração de negócios, em vez de apenas uma estratégia de marketing.
A mudança na mensuração de resultados
Lucas Freitas, fundador da Blank School, afirma que muitas empresas ainda avaliam sua presença digital com base em indicadores como alcance e número de seguidores. No entanto, o que realmente importa é a capacidade de transformar essa audiência em relacionamento e novos clientes. Ele destaca: "Enquanto o mercado olha seguidores e visualizações, a gente olha quantos leads aquele conteúdo gerou."
Freitas alerta que depender apenas de mídia paga pode tornar a aquisição de clientes mais cara a longo prazo. Em contrapartida, a construção consistente de uma marca pessoal se torna um ativo que continua gerando resultados, mesmo sem um aumento proporcional de investimento.
A importância do posicionamento
Para Freitas, não existe uma fórmula única para produzir conteúdo. O diferencial está em encontrar um posicionamento próprio e adaptar boas práticas à realidade de cada profissional. Essa abordagem está se tornando a base das estratégias de várias empresas no setor.
Darla Sierra, CEO da VLG Investimentos, compartilha sua experiência ao colocar a liderança no centro da comunicação da empresa. Ao invés de usar as redes sociais apenas para divulgar produtos, ela decidiu mostrar os bastidores da companhia, o que ajudou a aproximar investidores da cultura organizacional.
Construindo confiança através da humanização
Darla observa que essa construção de familiaridade resultou em consequências comerciais positivas. Clientes passaram a chegar após acompanhar conteúdos nas redes sociais, enquanto parceiros demonstraram maior interesse em participar de eventos promovidos pela empresa. Essa estratégia não apenas reduziu custos de produção, mas também fortaleceu o ecossistema da marca.
A humanização da comunicação, segundo a executiva, é essencial para construir confiança em um mercado onde os serviços são muitas vezes percebidos como semelhantes pelos investidores.
O papel da credibilidade
Apesar da crescente importância da presença digital, os participantes do painel enfatizam que a busca por audiência não deve comprometer a confiança entre assessor e cliente. André Albo, sócio-fundador da Alta Vista, afirma que o objetivo da exposição nas redes sociais não deve ser apenas viralizar, mas sim reforçar atributos como equilíbrio, segurança e credibilidade. "Mais importante do que alcance é credibilidade", defende ele.
O novo perfil do cliente
André enfatiza que o cliente que chega pelas redes sociais inicia o relacionamento em um estágio diferente do que era comum há alguns anos. "Ele não chega convencido, mas chega pré-educado", afirma, ressaltando que boa parte do processo de conhecimento sobre o profissional já ocorreu antes do primeiro contato, tornando as conversas comerciais mais qualificadas.
Novas competências no mercado
Essa transformação no comportamento do consumidor também altera as competências esperadas dos profissionais. Se antes o desempenho era medido principalmente por indicadores como captação de recursos, receita e satisfação dos clientes, agora a capacidade de produzir conteúdo, construir audiência e fortalecer relacionamentos é valorizada.
A disputa entre escritórios deixou de ser focada apenas na carteira de clientes e passou a incluir a disputa pela atenção dos investidores. Nesse sentido, a produção de conteúdo se consolida como uma ferramenta de diferenciação competitiva no mercado.
A conclusão é clara: "Não adianta ser um ótimo assessor se ninguém ficar sabendo", resume André Albo. Assim, a marca pessoal se transforma em um ativo estratégico essencial para assessores e escritórios que desejam se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.