# Marca pessoal deixa de ser ferramenta de negócios para assessores

> A construção de marca pessoal evoluiu de uma simples vitrine para uma ferramenta estratégica no setor de assessoria de investimentos. Dados revelam que 67% das pessoas pesquisam produtos nas redes sociais antes de comprar.

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 27 de julho de 2026 · Caetano Vidal*

## Marca pessoal deixa de ser vitrine e vira ferramenta de negócios para assessores

A influência das redes sociais está transformando a maneira como assessores e escritórios se relacionam com seus clientes. De acordo com uma pesquisa do Instituto Ilumeo, mais de 60% dos investidores brasileiros levam em conta a opinião de influenciadores financeiros antes de tomar decisões de investimento. Essa nova dinâmica demonstra que a construção de marca pessoal deixou de ser apenas uma vitrine e passou a ser uma parte crucial da estratégia comercial das empresas do setor.

## O impacto das redes sociais na tomada de decisão

Dados apresentados durante um painel na Expert XP mostram que 67% das pessoas pesquisam produtos e serviços nas redes sociais antes de realizar uma compra. Essa informação reforça o papel das plataformas digitais como porta de entrada para novos clientes, mudando o foco da comunicação entre assessores e investidores.

Os executivos que participaram do painel ressaltaram que o cenário atual leva os escritórios e assessores a enxergarem a produção de conteúdo como uma ferramenta fundamental para geração de negócios, em vez de apenas uma estratégia de marketing.

## A mudança na mensuração de resultados

Lucas Freitas, fundador da Blank School, afirma que muitas empresas ainda avaliam sua presença digital com base em indicadores como alcance e número de seguidores. No entanto, o que realmente importa é a capacidade de transformar essa audiência em relacionamento e novos clientes. Ele destaca: "Enquanto o mercado olha seguidores e visualizações, a gente olha quantos leads aquele conteúdo gerou."

Freitas alerta que depender apenas de mídia paga pode tornar a aquisição de clientes mais cara a longo prazo. Em contrapartida, a construção consistente de uma marca pessoal se torna um ativo que continua gerando resultados, mesmo sem um aumento proporcional de investimento.

## A importância do posicionamento

Para Freitas, não existe uma fórmula única para produzir conteúdo. O diferencial está em encontrar um posicionamento próprio e adaptar boas práticas à realidade de cada profissional. Essa abordagem está se tornando a base das estratégias de várias empresas no setor.

Darla Sierra, CEO da VLG Investimentos, compartilha sua experiência ao colocar a liderança no centro da comunicação da empresa. Ao invés de usar as redes sociais apenas para divulgar produtos, ela decidiu mostrar os bastidores da companhia, o que ajudou a aproximar investidores da cultura organizacional.

## Construindo confiança através da humanização

Darla observa que essa construção de familiaridade resultou em consequências comerciais positivas. Clientes passaram a chegar após acompanhar conteúdos nas redes sociais, enquanto parceiros demonstraram maior interesse em participar de eventos promovidos pela empresa. Essa estratégia não apenas reduziu custos de produção, mas também fortaleceu o ecossistema da marca.

A humanização da comunicação, segundo a executiva, é essencial para construir confiança em um mercado onde os serviços são muitas vezes percebidos como semelhantes pelos investidores.

## O papel da credibilidade

Apesar da crescente importância da presença digital, os participantes do painel enfatizam que a busca por audiência não deve comprometer a confiança entre assessor e cliente. André Albo, sócio-fundador da Alta Vista, afirma que o objetivo da exposição nas redes sociais não deve ser apenas viralizar, mas sim reforçar atributos como equilíbrio, segurança e credibilidade. "Mais importante do que alcance é credibilidade", defende ele.

## O novo perfil do cliente

André enfatiza que o cliente que chega pelas redes sociais inicia o relacionamento em um estágio diferente do que era comum há alguns anos. "Ele não chega convencido, mas chega pré-educado", afirma, ressaltando que boa parte do processo de conhecimento sobre o profissional já ocorreu antes do primeiro contato, tornando as conversas comerciais mais qualificadas.

## Novas competências no mercado

Essa transformação no comportamento do consumidor também altera as competências esperadas dos profissionais. Se antes o desempenho era medido principalmente por indicadores como captação de recursos, receita e satisfação dos clientes, agora a capacidade de produzir conteúdo, construir audiência e fortalecer relacionamentos é valorizada.

A disputa entre escritórios deixou de ser focada apenas na carteira de clientes e passou a incluir a disputa pela atenção dos investidores. Nesse sentido, a produção de conteúdo se consolida como uma ferramenta de diferenciação competitiva no mercado.

A conclusão é clara: "Não adianta ser um ótimo assessor se ninguém ficar sabendo", resume André Albo. Assim, a marca pessoal se transforma em um ativo estratégico essencial para assessores e escritórios que desejam se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/credito-e-dividas/marca-pessoal-deixa-ser-vitrine-vira-ferramenta-negocios-assessores/
