Credito e Dividas

Erro na Avaliação de Risco no Agronegócio Segundo a Agrolend

A avaliação de risco no agronegócio enfrenta um grande desafio, segundo Alan Glezer, CEO da Agrolend. O erro comum é tratar a alavancagem do produtor como uma variável simples, o que pode levar a conclusões equivocadas sobre a saúde financeira das operações agrícolas.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 25 de julho de 2026
Erro na Avaliação de Risco no Agronegócio Segundo a Agrolend

O maior erro que o mercado comete na avaliação de risco no agronegócio, segundo a Agrolend

A recente onda de inadimplência e recuperações judiciais no agronegócio expôs um dos principais desafios enfrentados por bancos, fundos e fintechs que financiam o setor: como medir corretamente o risco de um produtor?

A visão de Alan Glezer, CEO da Agrolend

Segundo Alan Glezer, CEO da Agrolend, o mercado financeiro ainda comete um erro importante ao avaliar esse risco: tratar a alavancagem do produtor como uma variável simples. Glezer afirma que a estrutura financeira de um produtor rural difere significativamente de outros segmentos. Muitos operam em áreas arrendadas, sem possuir um único hectare de terra própria, o que faz do custo do arrendamento uma parcela relevante da operação.

"Às vezes um cara não tem um hectare próprio, ele arrenda 300 hectares. O custo do arrendamento é uma parcela relevante. Ao mesmo tempo, ele comprou um monte de máquinas financiadas. Mensurar adequadamente a alavancagem do setor, pensando principalmente no produtor rural, é um desafio", afirmou em entrevista ao Money Times.

A complexidade da análise de crédito

Na avaliação do executivo, considerar apenas o nível de endividamento pode levar a conclusões equivocadas sobre a saúde financeira de uma operação agrícola. Para Glezer, o verdadeiro desafio está em analisar conjuntamente dois indicadores: alavancagem e produtividade.

Na prática, um produtor pode apresentar uma dívida elevada, mas manter uma operação financeiramente saudável graças aos altos níveis de produtividade. Por outro lado, um agricultor com menor endividamento pode representar um risco maior caso sua eficiência operacional seja baixa.

"Quando você precisa cruzar a alavancagem com a produtividade, tentar olhar esse binômio, alavancagem e produtividade, fica mais difícil ainda", disse.

Segundo ele, essa combinação ainda representa uma das maiores lacunas da análise de crédito rural no Brasil. "Essa é uma complexidade que eu acho que a gente não conseguiu endereçar ainda."

Visão positiva para o agronegócio

Apesar do momento desafiador vivido pelo setor, Glezer reforçou que mantém uma visão estruturalmente positiva para o agronegócio brasileiro. Na avaliação do CEO da Agrolend, o atual ciclo de pressão sobre margens e crédito não altera os fundamentos do setor.

O executivo destaca que o Brasil continua sendo um dos produtores mais competitivos do mundo, com vantagens como alta produtividade, possibilidade de realizar duas, e, em algumas regiões, até três, safras por ano, além da expansão da área agricultável e da melhora gradual da infraestrutura logística.

Glezer também acredita que os avanços tecnológicos tendem a elevar a rentabilidade das propriedades rurais nos próximos anos. A maior adoção de inteligência artificial, novas tecnologias e insumos mais eficientes deverá contribuir para aumentar a produtividade e fortalecer a geração de caixa dos produtores.

O desafio exige cautela

Na visão do executivo, o momento exige cautela dos agentes financeiros, mas não muda a perspectiva de longo prazo para o setor. "O ciclo está desafiador para todos. A gente espera que todo mundo consiga trabalhar bem esse cenário."

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