Falta de informações em 65% das notas fiscais põe em risco créditos tributários
Um levantamento recente revelou que mais de 65% das notas fiscais eletrônicas (NF-e) emitidas no Brasil contêm informações incompletas ou incorretas, um índice que coloca em risco bilhões em créditos tributários. O dado, divulgado por uma consultoria especializada em compliance fiscal, acendeu o alerta em contabilistas e gestores tributários. A falta de dados precisos na NF-e pode levar à glosa de créditos de PIS, Cofins, ICMS e IPI, além de multas e processos administrativos.
O levantamento em números
Segundo o estudo, que analisou mais de 10 milhões de NF-e emitidas entre janeiro e maio de 2026, 65,3% dos documentos apresentavam pelo menos um campo obrigatório preenchido de forma incorreta ou ausente. Os erros mais comuns foram: CFOP divergente da operação (28%), CST de ICMS ou IPI incorreto (22%), dados do destinatário incompletos (18%) e ausência de informação sobre frete (12%).
Por que isso afeta o crédito tributário
O crédito tributário, direito do contribuinte de abater valores pagos em operações anteriores, depende diretamente da correta escrituração fiscal. A Receita Federal cruza dados das NF-e com as apurações de PIS, Cofins e ICMS. Se a nota fiscal não contém o CFOP adequado ou o CST correto, o sistema pode rejeitar o crédito automaticamente. Em 2025, a Receita glosou cerca de R$ 4,7 bilhões em créditos de PIS/Cofins por irregularidades em notas fiscais, segundo dados do órgão.
Principais erros que invalidam créditos
- CFOP incorreto: Código Fiscal de Operações e Prestações que não corresponde à operação real (ex: venda interestadual registrada como interna).
- CST errado: Código de Situação Tributária do ICMS ou IPI que não reflete a alíquota aplicada.
- Dados do destinatário incompletos: CNPJ, Inscrição Estadual ou endereço incorretos.
- Informação de frete ausente: Frete por conta do destinatário sem indicação na NF-e.
- Natureza da operação equivocada: Classificação entre venda, remessa, devolução ou bonificação.
Como reduzir o risco
Para evitar a glosa de créditos tributários, especialistas recomendam a implementação de sistemas de validação automática de NF-e antes do envio ao fisco. Ferramentas de inteligência fiscal podem cruzar os campos obrigatórios com as regras de cada estado e regime tributário. Empresas que adotaram esses sistemas reduziram em até 80% o índice de notas com erro, segundo o levantamento.
O papel do contador
O contador ou escritório de contabilidade é o primeiro filtro de qualidade das NF-e. Treinamentos periódicos sobre a correta classificação de CFOP e CST, além de revisão manual de notas de alto valor, são práticas recomendadas. A falta de capacitação é apontada como a principal causa dos erros, segundo a consultoria.
Impacto financeiro
Créditos tributários indevidamente glosados representam perda direta de caixa. Em médias empresas, o valor médio de créditos perdidos por erros em NF-e gira em torno de R$ 120 mil por ano, de acordo com estimativas do setor. Em grandes companhias, esse número pode ultrapassar R$ 2 milhões.
Perguntas Frequentes
Quais os principais erros em notas fiscais que levam à perda de crédito?
CFOP divergente, CST incorreto, dados do destinatário incompletos e ausência de informação de frete são os mais comuns.
Como saber se minha NF-e está correta?
Consulte o manual de emissão da NF-e da SEFAZ do seu estado e utilize sistemas de validação automática que conferem cada campo.
O que fazer se meu crédito for glosado?
Apresente recurso administrativo com a nota fiscal corrigida e documentação complementar que comprove a operação real.
Empresas do Simples Nacional também perdem crédito?
Sim, especialmente no ICMS e IPI, quando a NF-e apresenta erros de CFOP ou CST.
Há prazo para corrigir a NF-e?
Sim, a correção via carta de correção eletrônica (CC-e) é permitida até o prazo de entrega da declaração do período.
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