Credito e Dividas

"Juro precisa cair ou quebramos": gestores alertam sobre CDI

Gestores financeiros alertam que a renda fixa atrelada ao CDI pode não ser a melhor opção diante de uma possível recessão em 2027. A situação fiscal do Brasil exige atenção e decisões cautelosas.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 26 de julho de 2026
"Juro precisa cair ou quebramos": gestores alertam sobre CDI

"Juro precisa cair ou quebramos": gestores alertam contra renda fixa atrelada ao CDI

Com "altas chances" de recessão em 2027, fiscal "debilitado" e ajustes possíveis apenas com um "esforço enorme", três dos principais gestores do País preferem a exposição a títulos de inflação em vez de papéis atrelados ao CDI. A situação fiscal do Brasil precisa ser definida "por bem ou por mal" nos próximos meses.

Segundo Bruno Cordeiro, sócio da Kapitalo Investimentos e gestor do fundo multimercado K10, "temos probabilidade muito alta de recessão contratada para o ano que vem, independentemente da eleição, e chance muito baixa de o BC ter que puxar os juros". Nesse cenário, ele avalia que a renda fixa "tem um bom valor, apesar do problema do endividamento do País". Para Cordeiro, os pós-fixados não são a melhor opção para o investidor, perdendo para os títulos atrelados à inflação e até para os prefixados de curto prazo.

João Landau, CIO e sócio-fundador da Vista Capital, classifica o CDI como perdedor se os juros caírem, devido ao risco de reinvestimento, ou se a Selic subir, cenário em que o IPCA+ se torna ainda mais favorável. Ele destaca que o próprio Tesouro Nacional dá sinais de que o Brasil está entrando em dominância fiscal, enfrentando dificuldades para emitir NTN-Bs (títulos do Tesouro IPCA+) a 8%. "O Tesouro está basicamente dizendo que esse juro precisa cair ou quebramos", afirma Landau.

Em painel da Expert XP, especialistas debatem um novo regime global e veem juros mais altos por um período prolongado. Além da renda fixa atrelada à inflação, Landau sugere que o investidor pode se proteger na Bolsa, comprando ações de empresas ligadas à economia real, como o setor de shopping centers. Ele também exalta ações que não têm "o governo metendo a mão".

Landau considera a dívida-PIB como "subestimada" pelo mercado, afirmando que "não existe mais ajuste pequeno". Ele vê um quarto mandato de Lula como improvável, argumentando que o petista tem pouco ou nenhum espaço para subir nas pesquisas, além de que seu eleitorado apresenta, historicamente, uma maior taxa de abstenção. Apesar disso, admite que seu principal opositor, Flávio Bolsonaro, "está no segundo livro de como perder uma eleição", em referência ao primeiro, escrito pelo pai em 2022.

Ruy Alves, sócio e co-gestor dos fundos multimercados na Kinea Investimentos, também critica a situação política. Ele descreve os dois principais candidatos ao Planalto como "uma pessoa que vai para seu quarto mandato e até hoje não fez (um ajuste fiscal) e um opositor que não tem track record". Alves conclui que "não existe salvador da pátria" e que, mesmo com uma vitória de Flávio, a situação fiscal do Brasil não deve ser resolvida "sem um esforço enorme".

Além disso, os dados oficiais indicam que o CDI diário está fixado em 0,05% desde 17 de julho de 2026. O cenário atual alerta para a necessidade de uma análise cuidadosa sobre onde alocar os investimentos, especialmente em um panorama econômico incerto como o que se apresenta para os próximos anos.

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