IA na duplicata escritural acelera crédito às empresas
Menos de dois meses após o início da duplicata escritural, IA já analisa milhões de títulos para acelerar crédito. Entenda o impacto para empresas.
A duplicata escritural mal começou a operar e já ganhou uma camada de inteligência artificial para acelerar a transformação de recebíveis em crédito. Em menos de dois meses, ferramentas de IA passaram a analisar milhões de dados gerados pelos títulos, identificando operações fora do padrão e estimando a capacidade de pagamento das empresas. A promessa é destravar crédito de forma mais rápida e barata, especialmente para pequenos negócios.
A fintech Delend afirma ter treinado um modelo com mais de 30 milhões de títulos de pequenas e médias empresas, cerca de R$ 80 bilhões em valor de face. Em testes internos, a taxa de acerto chegou a 97,7% na previsão do comportamento de pagamento, segundo a companhia. O número, porém, pede cautela: é uma métrica própria, sem validação independente do mercado. Além disso, como o sistema entrou em operação em julho, o treinamento usou principalmente histórico de boletos, notas fiscais e outros recebíveis.
A iniciativa ilustra o próximo estágio do mercado. Se a primeira fase cria um título digital, único e rastreável, a seguinte usa esse volume de informações para aprimorar a análise de risco. A escrituração comprova a existência do título, mas não garante o pagamento. Segundo Fernando Wosniak Steler, CEO da Delend, há um gap de crédito de R$ 2,5 trilhões entre pequenas empresas. "Nosso modelo aprende com a linguagem transacional para prever risco e viabilizar antecipação", afirma.
A tecnologia cruza histórico de pagamentos, atrasos, recorrência comercial, dados de ERP e Open Finance para avaliar quem precisa pagar. Para pequenas empresas, com histórico bancário limitado, isso pode substituir a análise tradicional baseada em balanços. A velocidade também muda: análises que levam dias podem ser feitas em tempo real, no momento da emissão da nota fiscal, indicando se vale vender a prazo ou antecipar.
Lançada em 30 de junho pelo Banco Central, a duplicata escritural é aposta para ampliar crédito, com potencial de destravar R$ 11 trilhões. Pesquisa da Núclea com IBPad e Môre mostra que 88% das instituições acreditam nessa ampliação. Para Everson Menezes, da CERC, mais de 600 milhões de duplicatas podem ser administradas na fase de obrigatoriedade. Edson Silva, da Nexxera, vê a IA como um rating dinâmico, capaz de substituir linhas de crédito mais caras. O mercado de duplicatas movimenta entre R$ 10 trilhões e R$ 13 trilhões por ano, e a combinação de infraestrutura digital e IA deve tornar o crédito mais eficiente e acessível duplicata escritural como funciona.