# Houthis atacam instalações petrolíferas sauditas e suas consequências

> Neste sábado (25), militantes houthis atacaram instalações petrolíferas sauditas, elevando preocupações sobre o impacto no mercado de petróleo. Os ataques ocorreram em dois portos na costa do Mar Vermelho, sinalizando uma escalada na guerra civil no Iêmen e possíveis repercussões

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 27 de julho de 2026 · Bianca Solano*

## Houthis atacam instalações petrolíferas sauditas

Neste sábado (25), militantes houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, atacaram instalações petrolíferas sauditas em dois portos na costa do Mar Vermelho. Esse evento marca um aumento nas tensões na região e pode ter implicações significativas para o mercado petrolífero global.

Os ataques ocorreram enquanto os Estados Unidos se abstiveram de lançar ataques aéreos contra o Irã pela primeira noite em duas semanas. Não houve explicação imediata de Washington sobre a interrupção de uma sequência de 13 noites de ataques em retaliação aos ataques iranianos à navegação no Estreito de Ormuz. O porta-voz do Ministério da Saúde do Irã, Hossein Kermanpour, comentou: "Parece que nosso querido Irã teve uma noite tranquila ontem".

Os ataques dos houthis contra a Arábia Saudita são um sinal de que a guerra que tem interrompido o transporte de petróleo do Golfo pode estar se espalhando para uma segunda importante rota marítima e reacendendo a guerra civil no Iêmen. O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou que o grupo havia atacado com sucesso as instalações pertencentes à gigante petrolífera estatal saudita Aramco em Jizan e Yanbu. Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostrava uma grande coluna de fumaça subindo na direção da refinaria da Aramco em Jizan.

Duas fontes do setor de comércio com sede na Ásia relataram sobre possíveis danos a instalações de armazenamento de combustível e petróleo em Jizan. A Aramco não comentou sobre os ataques até o momento. Em Yanbu, dois mísseis balísticos direcionados a instalações petrolíferas foram interceptados por uma bateria do sistema Patriot, fabricado nos EUA, operada na Arábia Saudita pelas forças armadas gregas sob um acordo com Riad.

Yanbu é o principal porto petrolífero da Arábia Saudita no Mar Vermelho, onde milhões de barris por dia são carregados, e tornou-se a principal rota de saída para o petróleo saudita, contornando o Estreito de Ormuz, atualmente bloqueado pelo Irã. Jizan, por sua vez, abriga uma refinaria com capacidade de 400 mil barris por dia.

No Iêmen, a Força Aérea do governo reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita atacou locais de lançamento de mísseis e drones houthis, além de depósitos de armas nas províncias de Marib e al-Jawf. A aliança militar liderada pela Arábia Saudita também bombardeou posições militares houthis na sexta-feira no porto de Hodeidah, no Mar Vermelho.

Ambos os lados da guerra civil no Iêmen estão mobilizando forças ao longo da linha de frente. A Arábia Saudita lidera uma coalizão árabe que luta contra os houthis há mais de uma década, desde que os combatentes alinhados ao Irã capturaram a capital do Iêmen, Sanaa.

A guerra civil no Iêmen, que resultou na morte de centenas de milhares de pessoas em combates e devido à fome, estava suspensa por um cessar-fogo desde 2022. No entanto, essa trégua foi rompida neste mês, com os houthis se juntando à guerra mais ampla que seus aliados iranianos vêm travando desde que foram atacados pelos EUA e por Israel.

Os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita na semana passada, e o líder houthi Abdul Malik al-Houthi afirmou que todas as instalações petrolíferas sauditas poderiam ser alvos. O anúncio contribuiu para um dos aumentos mais acentuados nos preços globais do petróleo desde o início da guerra, com o petróleo Brent ultrapassando os US$ 100 por barril pela primeira vez desde maio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu na sexta-feira uma "punição militar severa" contra Teerã e os houthis após os ataques a dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. Uma trégua provisória para encerrar a guerra efetivamente fracassou há duas semanas, com as forças norte-americanas atacando alvos no sul do Irã em resposta à interrupção do tráfego marítimo.

Trump ameaçou ampliar os alvos para incluir usinas de energia e pontes do Irã, além de enviar forças terrestres para tomar o centro petrolífero da Ilha de Kharg e bombardear uma instalação subterrânea ligada ao programa nuclear, conhecida como Pickaxe Mountain. Na sexta-feira, no entanto, Trump afirmou que ainda não havia tomado uma decisão sobre novos ataques de grande porte. "Estamos conversando com eles", disse ele a repórteres na Casa Branca. "Acho que estão levando a sério. Acho que... estão, de longe, mais sérios do que já vimos antes, mas isso não significa que chegaremos a esse ponto."

## Perguntas Frequentes

### O que motivou os ataques dos Houthis às instalações sauditas?

Os ataques dos Houthis foram uma resposta à escalada das tensões regionais e à guerra civil no Iêmen, onde o grupo se opõe ao governo apoiado pela Arábia Saudita.

### Qual é o impacto dos ataques no mercado de petróleo?

Os ataques contribuíram para um aumento significativo nos preços do petróleo, com o Brent ultrapassando os US$ 100 por barril.

### Como os EUA estão reagindo a essa situação?

Os EUA se abstiveram de ataques aéreos contra o Irã pela primeira vez em duas semanas, mas prometeram uma resposta militar severa.

### O que está acontecendo no Iêmen?

A guerra civil no Iêmen se intensificou após a interrupção do cessar-fogo, com ambos os lados mobilizando forças e realizando ataques. ~833 palavras.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/credito-e-dividas/houthis-atacam-instalacoes-petroliferas-sauditas/
