Herança de Erasmo Carlos: briga entre viúva e filhos
A briga pela herança de Erasmo Carlos ganhou novos capítulos: cobrança de R$ 170 mil, busca e apreensão e notícia-crime. Entenda os pontos do conflito.
A disputa entre Fernanda Esteves, viúva de Erasmo Carlos, e os filhos do cantor, Leonardo e Gil, ganhou novos capítulos nos últimos dias. Em meio às divergências sobre a herança e a administração dos bens, Fernanda evitou comentar o caso e publicou nas redes sociais uma foto em que aparece com uma flor na boca. O conflito, porém, começou bem antes da postagem.
Desde a morte de Erasmo, em novembro de 2022, o inventário envolve discussões sobre um apartamento no Rio de Janeiro, despesas do imóvel e movimentações financeiras ocorridas na época. Um dos principais pontos de atrito é o apartamento em São Conrado, na Zona Sul, onde o casal morava. Avaliado em cerca de R$ 8 milhões, o imóvel pertence 50% a Fernanda, e a outra metade integra o patrimônio deixado pelo artista.
Fernanda saiu do local em abril deste ano, afirmando nas redes sociais que não recebia recursos do espólio e que não conseguia arcar com os custos de manutenção, superiores a R$ 10 mil mensais. Nesta sexta-feira (28), veio a público um novo desdobramento: Leonardo e Gil cobram de Fernanda cerca de R$ 170 mil referentes a despesas que afirmam ter pago. A Justiça determinou o depósito judicial da parcela dos aluguéis que cabe à viúva enquanto o processo prossegue. Fernanda contesta a cobrança.
O conflito também alcançou objetos pessoais e profissionais do cantor. Em outubro de 2024, oficiais de Justiça cumpriram uma ordem de busca e apreensão no apartamento, com auxílio de um chaveiro e autorização para entrada forçada. Os filhos pediram a medida para recolher bens do espólio e entregá-los a Leonardo, que assumiu como inventariante. Parte dos objetos não foi localizada, entre eles dois troféus do Grammy Latino, uma guitarra dos anos 1960 e cadernos com memórias e composições.
A disputa chegou à esfera criminal. Leonardo e Gil apresentaram uma notícia-crime à Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro, pedindo apuração de movimentações que somavam R$ 345 mil na conta de Erasmo. Segundo os filhos, R$ 300 mil teriam sido transferidos para uma conta atribuída a Fernanda em 22 de novembro de 2022, dia da morte do cantor, e outros R$ 45 mil semanas depois, para pagamento de serviços jurídicos. Os advogados dos herdeiros sustentaram que os fatos poderiam configurar apropriação indébita ou furto qualificado.
O Ministério Público, no entanto, entendeu que não havia elementos suficientes para justificar uma investigação criminal contra Fernanda. A Promotoria também identificou um viés misógino na forma como as suspeitas foram apresentadas. O episódio não avançou na esfera criminal, enquanto as demais divergências patrimoniais seguem na Justiça. Para quem acompanha casos de inventário, a lição é que a disputa por bens pode se arrastar por anos, com custos elevados e desgaste emocional para todas as partes envolvidas.