Credito e Dividas

Desenrola Adimplentes começa hoje após ajustes para atrair os bancos

ResumoO Desenrola Adimplentes, programa de renegociação de dívidas para trabalhadores informais, inicia operação nesta data após ajustes regulatórios. As modificações nas regras visam atrair bancos privados, destravando a adesão das instituições financeiras. O programa oferece condições especiais para quitação de débitos, com foco em ampliar o acesso ao crédito e reduzir a inadimplência entre informais.

Programa de renegociação de dívidas para trabalhadores informais começa a operar hoje, após ajustes nas regras que buscam atrair bancos privados e destravar a adesão das instituições.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 10 de agosto de 2026
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Desenrola Adimplentes começa hoje após ajustes para atrair os bancos

O programa de renegociação de dívidas para trabalhadores informais, lançado há mais de um mês como uma das apostas do governo para a campanha à reeleição do presidente Lula, começa a sair do papel nesta segunda-feira. A mudança nas regras, feita a pedido da Caixa e do Banco do Brasil, busca atrair também os bancos privados, que inicialmente rejeitaram a medida.

O que muda no Desenrola Adimplentes?

A principal alteração, publicada em medida provisória (MP) no último sábado, permite que qualquer participante do programa combine capital próprio com o funding de até R$ 3 bilhões disponibilizado pela União. Antes, o uso do capital próprio estava restrito a Caixa e BB, que teriam de comprometer seus recursos em operações de outros bancos.

A necessidade da mudança foi detectada após a edição da MP que criou o programa, em 29 de junho. Dentro das instituições estatais, especialmente no BB, que tem capital aberto, havia a preocupação de que o formato anterior pudesse gerar questionamentos de governança.

Agora, Caixa e BB serão apenas repassadores de recursos da União para os demais bancos e também poderão conceder operações próprias. Segundo a justificativa da MP, o objetivo é "gerar os incentivos adequados, ao mesmo tempo em que preserva a eficiência no uso dos recursos públicos" aportados no programa.

Quem pode participar e quais as condições?

O programa permite que até R$ 15 mil em dívidas sem garantia no crédito pessoal de trabalhadores informais, sem nenhum vínculo formal de emprego, sejam renegociadas com juros de até 1,99% ao mês. Atualmente, essas operações têm taxa média de cerca de 7%.

É necessário ainda que o cliente tenha ao menos quatro parcelas já quitadas e que os pagamentos estejam em dia ou tenham atraso inferior a 90 dias.

Na avaliação do governo, esse público era o único que continuava desassistido diante das altas taxas no mercado de crédito neste momento. Trabalhadores CLT, idosos e servidores públicos têm acesso a linhas consignadas, com juros mais baixos, e os inadimplentes há mais de 90 dias já haviam sido contemplados pelo Desenrola 2.0.

Por que o programa atrasou?

O atraso, segundo interlocutores, foi causado por gargalos na regulamentação do Fundo de Garantia de Operações (FGO), em meio à série de programas de crédito lançados pelo governo antes do início do defeso eleitoral, em 4 de julho, como o próprio Desenrola para inadimplentes e as diferentes versões do Move Brasil, para compra de veículos.

Além disso, houve um desconforto de BB e Caixa, agentes financeiros da iniciativa, com as regras iniciais para as instituições participantes, o que motivou a alteração na MP.

Bancos privados devem aderir?

Há maior confiança do governo na entrada de instituições privadas, que inicialmente rejeitaram a modalidade devido ao público-alvo restrito e à análise de que faz pouco sentido se engajar em uma renegociação de um público que ainda está pagando em dia.

A própria Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alterou o posicionamento sobre o programa. Após o lançamento, a entidade disse que o potencial de adesão tendia a ser mais "limitado" do que a versão para inadimplentes. Agora, afirma que o desenho final evoluiu, o que contribuiu para aumentar a viabilidade de implementação pelas instituições financeiras.

"Algumas condições do desenho final evoluíram positivamente em relação às discussões iniciais, o que contribuiu para aumentar a previsibilidade operacional e a viabilidade de implementação pelas instituições financeiras", disse a Febraban, em nota.

A entidade avaliou que a regulamentação trouxe maior detalhamento sobre critérios de elegibilidade, custos, mecanismos de garantia, condições operacionais e de implementação. A decisão sobre a adesão é individual de cada banco.

O que dizem os bancos públicos?

Com a mudança, os bancos públicos devem começar a operar a linha. Procurado, o BB afirmou, em nota, que "mantém diálogo permanente com o Ministério da Fazenda sobre a operacionalização do programa". Já a Caixa não se manifestou.

Impacto prático para o trabalhador informal

Para quem se enquadra no perfil, a renegociação pode significar uma queda expressiva nos juros: de cerca de 7% ao mês para até 1,99%. Isso reduz o custo mensal da dívida e pode ajudar a limpar o nome e reorganizar o orçamento.

A condição de ter quatro parcelas quitadas e atraso inferior a 90 dias, porém, exige que o trabalhador já esteja com o pagamento em dia, o que limita o público elegível.

Perguntas Frequentes

Quem pode participar do Desenrola Adimplentes?

Trabalhadores informais, sem vínculo formal de emprego, que tenham dívidas de até R$ 15 mil em crédito pessoal sem garantia, com pelo menos quatro parcelas quitadas e atraso inferior a 90 dias.

Qual o teto de juros no programa?

Os juros podem chegar a no máximo 1,99% ao mês, bem abaixo da taxa média de cerca de 7% cobrada atualmente nesse tipo de operação.

Os bancos privados vão aderir?

A Febraban afirmou que o desenho final evoluiu e aumentou a viabilidade de implementação, mas a decisão de adesão é individual de cada banco.

O que mudou com a nova MP?

Qualquer banco participante pode agora combinar capital próprio com o funding de até R$ 3 bilhões da União, e Caixa e BB atuam como repassadores de recursos.

Quando o programa começa a operar?

O programa começa a sair do papel nesta segunda-feira, após as mudanças nas regras publicadas em medida provisória no último sábado.

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