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Deputada aciona PGR por vídeo de Bolsonaro feito com IA

A deputada federal Dandara protocolou uma representação na Procuradoria Geral da República para investigar um vídeo de inteligência artificial que simula um apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro à candidatura de seu filho, Flávio Bolsonaro, durante a convenção do PL.

Lia Hartmann
Lia Hartmann Especialista em renda fixa · 27 de julho de 2026
Deputada aciona PGR por vídeo de Bolsonaro feito com IA

Deputada aciona PGR por vídeo de Bolsonaro feito com IA na convenção do PL

A deputada federal Dandara, do PT mineiro, protocolou uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) solicitando a investigação sobre a divulgação de um vídeo de inteligência artificial que simula uma declaração de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro à candidatura presidencial de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), durante a convenção que oficializou o registro do senador como pré-candidato.

A peça apresentada pela deputada alega que a campanha de Flávio Bolsonaro cometeu infrações eleitorais e propõe uma investigação por crime eleitoral. Dandara argumenta que o episódio transgride normas da Justiça Eleitoral que proíbem o uso de técnicas de "deep fake", uma tecnologia que permite criar ou manipular conteúdos audiovisuais para reproduzir rostos e vozes de maneira convincente.

A fundamentação da deputada também se apoia na situação jurídica do ex-presidente: Jair Bolsonaro está cumprindo prisão domiciliar em decorrência de uma condenação relacionada a investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado e possui direitos políticos suspensos, o que o impede legalmente de participar de atividades de campanha. Essa situação levanta questões sobre a legalidade da utilização da imagem e voz de Bolsonaro em um contexto eleitoral.

No material que foi exibido durante a convenção do Partido Liberal (PL), a voz e imagem de Bolsonaro - geradas por inteligência artificial - proferiram a seguinte mensagem: "Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz".

Durante a simulação, o ex-presidente expressou sua indignação com a corrupção, impostos altos e a perda de poder de compra devido à inflação, afirmando que o brasileiro "não aguenta mais" essa situação. Essa declaração, embora reconhecendo que se trata de um recurso de inteligência artificial, é o que fundamenta a acusação de irregularidade por parte da deputada.

Na representação encaminhada à PGR, Dandara é clara e enfática: "A campanha de Flávio Bolsonaro cometeu um crime e precisa responder por isso. Bolsonaro está cumprindo prisão domiciliar por condenação após tentativa de golpe de Estado. Quem está com direitos políticos suspensos não pode, ainda mais através de vídeo simulado por IA, participar de convenção eleitoral".

A parlamentar considera que o ocorrido configura simultaneamente uma propaganda eleitoral irregular e uma violação das restrições legais impostas ao ex-presidente. Essa situação levanta questões sobre a responsabilidade dos envolvidos e a necessidade de uma investigação rigorosa por parte da PGR.

A Implicação do Uso de Inteligência Artificial na Política

O uso de tecnologia de inteligência artificial, como os vídeos gerados por "deep fake", tem gerado debates acalorados sobre ética e legalidade no cenário político. A capacidade de criar conteúdos visuais e auditivos que simulam figuras públicas pode ser uma ferramenta poderosa, mas também apresenta riscos significativos, especialmente em contextos eleitorais.

A deputada Dandara destaca que o uso de tais tecnologias em campanhas eleitorais precisa ser regulado para evitar manipulações e desinformação. A questão central reside na linha tênue entre inovação tecnológica e a integridade do processo democrático. O que ocorreu na convenção do PL pode ser visto como um indicativo de como as tecnologias emergentes podem ser utilizadas de maneira indevida.

O Papel da Justiça Eleitoral

A Justiça Eleitoral tem um papel fundamental na supervisão e regulamentação das campanhas, garantindo que sejam conduzidas de maneira justa e transparente. A acusação levantada por Dandara coloca em evidência a importância de se manter a vigilância sobre o uso de tecnologias que possam comprometer a lisura do processo eleitoral.

O fato de Jair Bolsonaro estar cumprindo prisão domiciliar e ter direitos políticos suspensos complica ainda mais a situação. Essa condição legal impede que ele atue diretamente em campanhas, e a utilização de sua imagem e voz, mesmo que por meio de inteligência artificial, pode ser considerada uma violação das normas eleitorais que visam proteger a integridade das eleições.

Considerações Finais

Neste cenário, a ação da deputada Dandara ao acionar a PGR é um passo significativo na busca por responsabilização e transparência nas campanhas eleitorais. As implicações legais do uso de inteligência artificial na política são complexas e exigem uma análise cuidadosa para garantir que a democracia não seja comprometida por inovações tecnológicas que possam ser mal utilizadas.

A situação também ressalta a necessidade urgente de a legislação acompanhar as evoluções tecnológicas, assegurando que as regras eleitorais sejam adequadas para lidar com os desafios que surgem com o uso de ferramentas como a inteligência artificial. O futuro das campanhas eleitorais pode depender da capacidade das autoridades de regular e monitorar essas novas tecnologias, garantindo que a voz dos cidadãos seja respeitada e que a integridade do processo democrático permaneça intacta.

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