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Crédito caro reduz alta de carros usados, aponta índice do BV

Crédito caro reduz ritmo de alta dos preços de carros usados, aponta índice do BV

Depois de quase dois anos de valorização praticamente contínua, o mercado brasileiro de carros usados começa a dar sinais claros de desaceleração. Os preços dos veículos leves avançaram apenas 0,07% em julho, a menor alta mensal desde março de 2025. O movimento indica que o setor passou a sentir com mais intensidade os efeitos do crédito restritivo, da desaceleração do consumo e da maior concorrência no mercado automotivo.

Segundo o IBV Auto, índice elaborado pelo banco BV para acompanhar a evolução dos preços dos automóveis leves usados no país, em junho o indicador havia registrado alta de 0,57%. Em apenas um mês, a desaceleração foi significativa.

O que está por trás da desaceleração dos preços

Para o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o mercado começa a refletir um ambiente econômico menos favorável ao consumo. "A inflação dos automóveis usados praticamente estacionou em julho. Além disso, a maior concorrência das montadoras chinesas já reflete no mercado, com queda dos preços dos veículos novos, crédito ainda restritivo, desaceleração do mercado de trabalho, aumento da inadimplência e elevado comprometimento da renda das famílias", afirma.

A perda de ritmo ocorre em um momento em que o financiamento continua sendo um dos principais obstáculos para quem pretende trocar de veículo. Com juros ainda elevados, aumento da inadimplência e famílias comprometendo parcela maior da renda com dívidas, a demanda por veículos usados começa a perder intensidade. Isso reduz a pressão sobre os preços.

Números do índice: acumulado do ano e 12 meses

No acumulado do ano, os preços ainda acumulam valorização de 3,56%. Já a alta em 12 meses perdeu intensidade, passando de 6,87% para 6,10%. Esse movimento reforça o início de um processo de estabilização após um longo período de forte apreciação dos seminovos.

Quais carros subiram e quais caíram em julho

O comportamento dos modelos mais negociados mostra essa mudança. Enquanto carros populares mais antigos ainda sustentam parte da valorização, veículos de grande volume de vendas já começaram a registrar desvalorização.

  • Maiores altas de julho: GM Celta (+2,62%), Fiat Palio (+2,20%) e Nissan Kicks (+1,92%)
  • Maiores quedas: VW Fox (-2,01%), Jeep Compass (-1,74%) e GM Onix (-1,11%)

Segundo o vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, o setor entrou em uma nova fase. "Modelos populares mais antigos ainda sustentam parte da valorização, mas veículos de maior volume de negociação, como Onix, Gol, Uno e Kwid, já mostram perda de fôlego. A tendência é que o mercado reflita cada vez mais o cenário econômico, as condições de financiamento e o ajuste dos preços dos veículos novos."

Desaceleração também aparece entre os estados

A desaceleração também passou a aparecer de forma mais ampla entre os estados. Em julho, 16 das 27 unidades da Federação registraram queda nos preços dos veículos usados. O cenário é bem diferente do observado em junho, quando houve valorização em todo o país.

O Nordeste apresentou o pior desempenho regional, com retração média de 0,19%. Apenas duas regiões registraram alta: Centro-Oeste com 0,29% e Sul com 0,22%.

Entre os estados, o Piauí apresentou a maior queda mensal, de 1,08%, enquanto o Amapá liderou as altas com 0,71%. No acumulado de 12 meses, Minas Gerais (+7,66%), Rio de Janeiro (+7,65%) e Rio Grande do Sul (+6,51%) seguem liderando a valorização. Na outra ponta, Pará (+4,14%), Mato Grosso (+4,37%) e São Paulo (+4,46%) registram os menores avanços.

Elétricos: desvalorização acelerada

Se os veículos a combustão começam a estabilizar seus preços, os elétricos seguem em trajetória oposta, segundo pesquisa do banco BV. Os modelos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de 46,15%. O percentual é muito superior ao observado entre veículos híbridos (26,85%) e modelos equivalentes movidos a combustão (21,40%).

Segundo o banco BV, a forte depreciação reflete principalmente a chegada de novas montadoras, especialmente chinesas, a redução dos preços dos veículos novos e a rápida evolução tecnológica dos modelos eletrificados. Esses fatores diminuem o valor de revenda dos primeiros elétricos vendidos no Brasil.

O que isso significa para quem vai comprar ou vender

Para quem está pensando em trocar de carro, o momento pede cautela. A tendência é que o mercado reflita cada vez mais o cenário econômico, as condições de financiamento e o ajuste dos preços dos veículos novos. Se você está vendendo um usado popular mais antigo, ainda pode encontrar compradores dispostos a pagar um pouco mais. Já quem tem um modelo de maior volume, como Onix ou Gol, pode precisar aceitar valores menores.

Para quem compra, a desaceleração pode ser uma oportunidade de negociar melhor, especialmente em estados onde os preços já caíram. Mas atenção: o crédito continua caro, e o comprometimento da renda com dívidas é um fator que pesa na decisão. Dinheiro é decisão, não sorte.

Perguntas Frequentes

O preço de carro usado vai cair em 2026?

A tendência é de estabilização, não de queda generalizada. Em julho, os preços subiram apenas 0,07%, e 16 estados registraram retração. Modelos populares antigos ainda sustentam valorização, enquanto veículos de grande volume já perdem fôlego.

Por que os carros usados estão desvalorizando?

Crédito restritivo, aumento da inadimplência, desaceleração do mercado de trabalho e maior concorrência das montadoras chinesas, que reduzem os preços dos veículos novos, são os principais fatores apontados pelo banco BV.

Quais carros usados mais desvalorizaram em julho?

VW Fox (-2,01%), Jeep Compass (-1,74%) e GM Onix (-1,11%) lideraram as quedas. Já os elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de 46,15% desde o lançamento.

Vale a pena comprar carro usado agora?

Depende do modelo e da região. Em estados como Piauí e Nordeste, os preços já caíram. Mas o crédito continua caro, e o comprometimento da renda com dívidas é um fator que pesa na decisão. Avalie seu orçamento antes de financiar.

Como o crédito caro afeta o mercado de usados?

Com juros elevados e inadimplência em alta, a demanda por veículos usados perde intensidade. Isso reduz a pressão sobre os preços e pode levar a negociações mais favoráveis para o comprador.

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Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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