Casas Bahia admite corrida de credores e Justiça antecipa RJ
A Justiça de São Paulo antecipou os efeitos do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, garantindo proteção contra a execução de dívidas por 180 dias. A companhia tenta reestruturar um passivo de R$ 17,3 bilhões.
A Justiça de São Paulo antecipou os efeitos do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia e garantiu à varejista proteção contra a execução de dívidas dos credores por 180 dias. A companhia tenta reestruturar um passivo de R$ 17,3 bilhões. A decisão é da juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
No pedido levado à Justiça, a Casas Bahia argumentou que houve uma "corrida de credores contra o patrimônio" da companhia desde as notícias da abertura do processo de recuperação judicial. Ainda segundo a empresa, cerca de R$ 9 milhões foram bloqueados "em poucos dias", o que representa risco de "iminente desfalque patrimonial" para a varejista.
O prazo determinado pela magistrada começa a ser contado a partir do último dia 19, quando ela concedeu a proteção. Na decisão, a juíza também determinou que o banco BTG Pactual restabeleça em 24 horas o pleno acesso da Casas Bahia às suas contas correntes.
Além disso, a magistrada definiu que as operadoras de maquininhas Cielo, Getnet e Redcard apresentem demonstrativos contábeis que mostrem recebíveis da Casas Bahia que foram retidos, liberem os valores e se abstenham de "constituir reservas extraordinárias motivadas exclusivamente pelo ajuizamento da recuperação".
Para o consumidor que tem crédito ou produto com a varejista, a notícia traz um cenário de incerteza. A proteção de 180 dias impede que credores cobrem dívidas na Justiça, mas não significa que as obrigações da empresa com clientes estejam suspensas. A recomendação é acompanhar os comunicados oficiais da companhia e do tribunal.
A decisão da Justiça paulista é um passo importante no processo de recuperação, mas ainda há um longo caminho até a aprovação do plano pelos credores. A Casas Bahia, uma das maiores varejistas do país, tenta agora demonstrar que tem condições de se reerguer financeiramente.