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C&A, Riachuelo e Azzas: Balanços do 3º Trimestre sob Pressão

O cenário para o varejo de moda brasileiro se mostra desafiador no terceiro trimestre. C&A, Riachuelo e Azzas devem apresentar resultados sob pressão, com economistas alertando para a continuidade das dificuldades no consumo e um horizonte macroeconômico incerto.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 04 de novembro de 2026
C&A, Riachuelo e Azzas: Balanços do 3º Trimestre sob Pressão

O setor de varejo brasileiro enfrenta um cenário pouco animador, com economistas antecipando que as pressões sobre o consumo continuarão a impactar os resultados do terceiro trimestre. A incerteza macroeconômica pode estender esse cenário desafiador para o próximo trimestre e até 2027.

Segundo a XP Investimentos, orçamentos domésticos mais apertados têm limitado o consumo, com uma deterioração nos gastos discricionários. A estimativa da casa é que cerca de 53% das empresas de vestuário sob sua cobertura apresentem contração na margem bruta.

O Itaú BBA projeta um terceiro trimestre de resultados difíceis, com poucos pontos positivos. Analistas indicam que investidores já esperam desempenho mais fraco de forma generalizada, especialmente em receita líquida, com riscos concretos de revisões negativas para o próximo trimestre e para 2027. O cenário macroeconômico, sem segurança sobre inflação ou juros, leva alguns economistas a reduzirem projeções de PIB para 2027 e aumentarem a aversão ao risco.

Para a C&A (CEAB3), o Goldman Sachs destaca a desaceleração da receita líquida em relação ao segundo trimestre. Essa desaceleração foi intensificada por reformas em 18 lojas (cerca de 5% da base total) que, historicamente, geram perda de 10% a 15% nas vendas durante o período. O banco estima um impacto negativo de 50 a 100 pontos-base no crescimento anual de vendas, projetando uma alta de 1,5% na receita líquida, para aproximadamente R$ 1,8 bilhão.

A Lojas Renner (LREN3) deverá ser a única varejista de vestuário a apresentar vendas nas mesmas lojas (SSS) negativas, com queda prevista de 0,5% na comparação anual, segundo o Itaú BBA. Esse desempenho eleva o risco de a companhia não atingir sua projeção revisada de crescimento da receita do varejo, com expectativas de revisões negativas após a divulgação dos resultados.

A XP Investimentos espera mais um trimestre fraco para a Azzas (AZZA3), embora a contração esperada na receita líquida seja menos intensa que a do segundo trimestre. A disciplina na gestão de vendas deve manter as receitas pressionadas. Por outro lado, estoques ajustados e maior participação de novas coleções devem impulsionar a margem bruta. A XP calcula uma redução de 16,9% no Ebitda anual, saindo de R$ 477 milhões para R$ 396 milhões, com vendas líquidas consolidadas em queda de quase 6%.

As perspectivas de juros reais e a percepção de risco já pressionam as ações de varejo e consumo, setores altamente sensíveis a essas variáveis, segundo analistas do Bradesco BBI.

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