BRKM5: ações caem 8,25% com recuperação extrajudicial e acordo Petrobras
As ações da Braskem (BRKM5) são o destaque negativo do Ibovespa (IBOV) no pregão desta terça-feira (25), estendendo as perdas da véspera, quando o pedido de recuperação extrajudicial da companhia entrou no radar do mercado. A petroquímica busca reestruturar US$ 10,9 bilhões em dívidas.
Por volta de 15h35 (horário de Brasília), as ações caíam 8,25%, cotadas a R$ 4,34. Na mínima do dia, o recuo chegou a 10,78%. Devido ao pedido de recuperação extrajudicial, a B3 informou que as ações da companhia serão excluídas dos índices da bolsa ao seu preço de fechamento após o encerramento do pregão regular desta terça. Analistas do Bradesco BBI esperam maior pressão vendedora sobre os papéis em decorrência da exclusão.
A Braskem também tornou públicas informações inicialmente compartilhadas de forma confidencial com alguns investidores em meio às negociações para a reestruturação. Entre elas, está a negociação para ampliação do limite de crédito comercial com a Petrobras (PETR4), no valor de R$ 2,35 bilhões. Segundo o documento, o crédito seria para a aquisição de matérias-primas em conexão com determinados contratos comerciais, com prazo de pagamento de até 30 dias. O prazo da linha vai até 31 de dezembro deste ano.
O acordo está sujeito à conclusão do processo de aprovação pelas instâncias de governança corporativa da Petrobras, à finalização dos documentos contratuais e será celebrado após o protocolo do processo de reestruturação extrajudicial acompanhado de um plano aprovado por pelo menos 1/3 dos credores. Na leitura do Bradesco BBI, por questões de governança, a Petrobras deverá anunciar formalmente a linha de crédito. Embora a medida proporcione algum alívio ao capital de giro da Braskem, os analistas ainda consideram o endividamento elevado demais para que a iniciativa produza um efeito relevante.
O aumento do limite de crédito comercial está sujeito aos termos dos contratos, incluindo o custo para extensão do prazo de pagamento. O limite poderá ser suspenso pela Petrobras caso não seja mantido o fluxo mínimo mensal de recebíveis. "Os eventos de vencimento antecipado incluem inadimplementos de obrigações pecuniárias e não pecuniárias, decretação de falência ou pedido de recuperação judicial que resulte no vencimento antecipado de obrigações por qualquer credor, liquidação, ou vencimento antecipado de dívidas financeiras da companhia", diz o documento.
Na segunda-feira (24), a empresa confirmou a recuperação extrajudicial com adesão de 39,6% dos credores. Agora, a companhia deve ter mais 90 dias de proteção, enquanto levanta um plano final de reestruturação, que deve contar com adesão de 50% mais 1. Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores. O plano prevê o alongamento dos prazos e a capitalização dos juros durante um período de carência, chamado de relief.
Os acionistas principais, incluindo a Petrobras (PETR4) e o fundo Shine I, apoiam a medida e podem participar com aportes de capital caso a recuperação não alcance as metas estipuladas. A crise na petroquímica decorre de uma combinação de um período de forte baixa do setor, crescimento da dívida ante geração de caixa, passivos relacionados ao caso de afundamento de solo em Maceió e problemas de liquidez.
Para o Bradesco BBI, a Braskem concentrará seu plano em uma estratégia de conversão de dívida em ações junto aos credores. "Acreditamos que a companhia poderá sofrer uma diluição acionária expressiva durante esse processo, que somente seria parcialmente amenizada por um desconto relevante sobre a dívida ou por um aporte de capital da Petrobras", dizem os analistas.