# Brasil pode perder nota de crédito antes das eleições, avalia ASA

> A ASA Investments avalia que o Brasil não possui garantia de evitar um rebaixamento da nota de crédito até 2027, conforme análise de Jefferson Bittencourt, head de Macroeconomia. O risco concentra-se em desequilíbrios fiscais e incertezas políticas pré-eleitorais. A possível perda do grau de investimento afetaria diretamente o custo de captação do país e a atratividade de ativos brasileiros para investidores estrangeiros.

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 05 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

O Brasil não tem garantia de escapar de um rebaixamento da nota de crédito até 2027, avalia Jefferson Bittencourt, head de Macroeconomia do ASA. Entenda os riscos e o que pode mudar para o investidor.

## Brasil pode perder nota de crédito antes mesmo das eleições, avalia ASA

O Brasil não tem segurança de que conseguirá escapar de um eventual rebaixamento da sua nota de crédito até 2027, avalia Jefferson Bittencourt, head de Macroeconomia do ASA. Para o economista, embora as agências de classificação de risco possam evitar mudanças de rating durante períodos eleitorais, não há garantia de que elas esperarão o fim das eleições brasileiras para revisar a avaliação sobre o país.

**O que isso significa na prática?** O Brasil pode perder o selo de bom pagador antes do previsto. Atualmente, o país tem nota Ba1 pela Moody's, BB pela S&P Global e BB pela Fitch, todas com perspectiva estável. Nenhuma das três classificações coloca o Brasil no chamado grau de investimento, selo concedido a emissores considerados de menor risco de calote.

## Por que a nota de crédito importa para o seu bolso?

O grau de investimento é relevante porque amplia a base de investidores que podem comprar a dívida do país, especialmente fundos e instituições com restrições a ativos especulativos. Além disso, contribui para reduzir o prêmio de risco e, potencialmente, o custo de financiamento do governo. Quando o Brasil perde ou fica perto de perder esse selo, o efeito prático é um possível aumento nos juros e maior volatilidade no mercado.

## O que diz o ASA sobre o timing das agências?

A avaliação de Bittencourt contrasta com a percepção de parte do mercado de que uma eventual revisão negativa só ocorreria após as eleições de 2026. Ele reconhece que existe uma dimensão política nas decisões das agências, que procuram evitar movimentos capazes de interferir diretamente em processos eleitorais. Mas ressalta que isso não significa que o Brasil esteja protegido de uma revisão antes de 2027.

Segundo ele, as agências costumam espaçar suas decisões justamente para evitar que uma mudança de rating seja interpretada como interferência no processo político. Com isso, poderiam optar por aguardar alguns meses e apresentar sua avaliação depois das eleições.

"Não vamos esperar ali mais um, dois, três meses para acabar esse processo eleitoral e aí a gente dá o nosso veredito", explicou, ao descrever a lógica que poderia levar as agências a postergar uma decisão.

## O problema fiscal e parafiscal de 2026

O problema é que, na avaliação do ASA, a situação fiscal brasileira se deteriorou ao longo de 2026. Bittencourt afirma que o país continua apresentando pontos fortes reconhecidos pelas agências, como o elevado nível de reservas internacionais, a capacidade de financiar o balanço de pagamentos com investimento direto e a diversificação da economia e dos destinos das exportações.

A vulnerabilidade fiscal, porém, continua sendo o principal obstáculo para uma melhora da nota de crédito. E esse risco aumentou neste ano não apenas pelo lado fiscal tradicional, mas também pelas operações parafiscais.

"Essa vulnerabilidade aumentou ao longo desse ano. A gente teve aumento não só no fiscal, mas aumentou também no parafiscal", afirmou.

Um dos pontos de preocupação está nas operações de crédito realizadas pelo governo, que podem ter impacto limitado sobre o resultado primário, mas afetam o resultado nominal e a trajetória de endividamento. Bittencourt citou estimativas de R$ 140 bilhões a R$ 160 bilhões em operações desse tipo.

O economista também chamou atenção para a deterioração da dívida líquida do setor público, que vem ocorrendo em ritmo mais rápido que a dívida bruta. A retomada de operações de crédito que geram ativos para a União, mas com baixa rentabilidade, contribui para esse movimento.

## O pacote de ajuste no fim do ano: a esperança do mercado

Para Bittencourt, o risco de rebaixamento não depende apenas de uma fotografia do resultado fiscal corrente, mas da percepção sobre a trajetória de solvência do país. É nesse ponto que o pacote de ajuste que o governo poderá apresentar no fim do ano ganha importância.

"Eu entendo que a reação mais rápida das agências pode também estar vinculada a esse pacote de medidas que pode ser anunciado no final do ano", afirmou.

O conteúdo desse pacote será determinante. Um ajuste considerado tímido ou frustrante pode não ser suficiente para alterar a percepção das agências. Caso as medidas de contenção de gastos venham acompanhadas de decisões que aumentem a pressão sobre as contas públicas, o efeito sobre a credibilidade pode ser negativo.

Bittencourt citou como referência o pacote anunciado no fim de 2024. Na ocasião, as medidas de ajuste eram aguardadas pelo mercado, mas acabaram acompanhadas pela desoneração do Imposto de Renda, o que, segundo ele, "minou consideravelmente" a credibilidade da proposta e elevou o ruído em torno da política fiscal.

O mesmo risco poderia aparecer novamente caso o governo anuncie medidas de contenção e, ao mesmo tempo, avance com pautas que aumentem as despesas. O economista mencionou, por exemplo, mudanças em regimes de Previdência de determinados segmentos como um possível fator de frustração para o mercado.

A experiência de 2022 também serve de alerta. Bittencourt lembrou que, após a eleição daquele ano, foi aprovado o piso nacional da enfermagem, com custos fiscais relevantes. Para ele, medidas desse tipo mostram que a trajetória das contas públicas não termina com o anúncio de um pacote de ajuste e pode ser afetada por decisões tomadas posteriormente.

## O que esperar daqui para frente?

Nesse cenário, o timing das agências dependerá tanto do calendário eleitoral quanto da evolução concreta da política fiscal. Se o governo apresentar um pacote consistente, a pressão poderia ser reduzida. Caso contrário, uma deterioração adicional das contas ou medidas que comprometam a trajetória de solvência podem antecipar uma reação das agências.

Para quem investe, a recomendação é acompanhar de perto os anúncios fiscais do fim do ano e os movimentos das agências de rating. Um rebaixamento antes do esperado pode mexer com o preço dos ativos e com o custo do crédito no país. como o rebaixamento afeta seus investimentos o que é grau de investimento riscos fiscais e mercado financeiro

## Perguntas Frequentes

### O que é nota de crédito?

É uma avaliação feita por agências como Moody's, S&P e Fitch sobre a capacidade de um país pagar suas dívidas. Quanto melhor a nota, menor o risco de calote percebido pelos investidores.

### O Brasil pode perder o grau de investimento?

O Brasil já não tem grau de investimento. As notas atuais (Ba1, BB e BB) estão abaixo desse selo, o que significa que o país já é considerado grau especulativo por essas agências.

### O que é operação parafiscal?

São operações de crédito realizadas pelo governo que não passam pelo orçamento fiscal tradicional, mas afetam o resultado nominal e a dívida pública, aumentando a vulnerabilidade.

### Quando as agências podem revisar a nota do Brasil?

Segundo o ASA, não há garantia de que esperarão as eleições de 2026. A revisão pode ocorrer antes de 2027, dependendo do pacote de ajuste fiscal e da trajetória da dívida.

### O que pode evitar o rebaixamento?

Um pacote de ajuste consistente, com contenção de gastos e sem medidas que aumentem as despesas, pode reduzir a pressão sobre as agências e melhorar a percepção de solvência do país.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/credito-e-dividas/brasil-pode-perder-nota-credito-antes-mesmo-eleicoes-avalia-asa/
