Azzas 2154 (AZZA3): S&P corta nota e acende sinal amarelo
A S&P National Ratings cortou a nota de crédito nacional da Azzas 2154 (AZZA3) de brAA+ para brAA e colocou em observação negativa, após o anúncio do 'divórcio' que propõe a cisão da companhia. Veja os números e o que esperar.
A S&P National Ratings cortou a nota de crédito nacional da Azzas 2154 (AZZA3) de "brAA+" para "brAA" e a colocou em observação negativa. O movimento ocorre após o anúncio do "divórcio" que propõe a cisão da companhia, retomando a Arezzo&Co de Alexandre Birman e a SOMA de Roberto Jatahy.
A Azzas, resultado de uma fusão realizada em 2024 entre a Arezzo&Co e o Grupo Soma, anunciou na quarta-feira (2) a entrada no processo de separação. O acordo propõe uma reorganização societária para dividir os negócios em duas companhias abertas independentes, listadas no Novo Mercado da B3, com estruturas de administração e governança próprias.
Na separação, a Arezzo&Co ficará com a plataforma de calçados e acessórios, incluindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi, além do controle da Hering. A Soma concentrará Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Foxton, Oficina e Reserva.
Para a S&P, a cisão deve ser concluída nos próximos trimestres e impactará o perfil de risco de negócios devido à menor escala e possível enfraquecimento das métricas de crédito, dependendo da alocação dos passivos. "Além disso, diante dos resultados mais fracos no segundo trimestre de 2026, estimamos que a empresa deverá reportar métricas operacionais e financeiras mais pressionadas para o ano", diz a agência.
A observação negativa indica possibilidade de novo rebaixamento nos próximos 90 dias, caso a Azzas apresente evidências de enfraquecimento do desempenho operacional e financeiro durante a cisão.
entenda a disputa de governança entre acionistas da Azzas
O arranjo prevê guarda compartilhada da Farm e suas extensões, com sociedade detida 57,4% pela Arezzo&Co e 42,6% pela Soma. Analistas da XP Investimentos estimam que a venda da Farm parece cada vez mais provável, com valor patrimonial de US$ 360-900 milhões, o que pode equiparar ao valor de mercado da Azzas.
Os números do segundo trimestre de 2026 reforçam o sinal amarelo. O lucro líquido recorrente caiu 62,5%, para R$ 106,5 milhões; o contábil recuou 94,5%, para R$ 29,8 milhões. O Ebitda recorrente foi de R$ 379,6 milhões, queda de 29,1%, com margem de 14,2%, baixa de 4,3 p.p. A receita líquida totalizou R$ 2,6 bilhões, recuo de 8,2%, com vendas sell-in em queda de 13,6%.
A companhia atribuiu o desempenho à menor receita, especialmente nas vendas para franqueados e multimarcas, à redução dos estoques e ao impacto dos juros elevados. A administração reconheceu a necessidade de "evoluir na retomada do crescimento e, principalmente, na recuperação da rentabilidade".