# Ações de Varejo: Queda Pós-Eleição Abre Oportunidades na Bolsa?

> A forte correção das ações de varejo após o segundo turno das eleições reacendeu a dúvida entre investidores: o sell-off criou oportunidade de compra ou marca o início de um ciclo difícil? Analistas apontam consensos e riscos para o setor na Bolsa.

*Mercado Valor · Credito e Dividas · 29 de outubro de 2026 · Bianca Solano*

A forte correção das ações de varejo após o segundo turno das eleições reacendeu uma velha dúvida entre investidores: o sell-off criou uma oportunidade de compra ou é apenas o início de um ciclo mais difícil para o setor?

Analistas apresentam visões divididas, mas apontam consensos. A piora das perspectivas macroeconômicas aumentou os riscos para empresas ligadas ao consumo doméstico. Contudo, diversas ações passaram a negociar em níveis de valuation considerados extremamente descontados, abrindo espaço para oportunidades mais seletivas na Bolsa.

Nos últimos dias, a combinação de juros futuros em alta, dólar mais forte e receios fiscais provocou uma reprecificação brusca dos ativos domésticos. Segundo o BTG Pactual, após avançarem cerca de 19% entre o primeiro e o segundo turno, as ações brasileiras de varejo devolveram os ganhos e acumulam queda de aproximadamente 33%, negociando abaixo dos níveis observados antes do início da disputa eleitoral.

O múltiplo médio do setor atingiu cerca de 6,5 vezes lucro projetado para 2027, frente a uma mediana histórica próxima de 15 vezes. O BTG Pactual e o Bradesco BBI alertam, porém, que valuations baixos, por si só, não garantem recuperação das ações, com o principal risco continuado sendo a perspectiva de juros elevados por mais tempo. O BTG estima que cada aumento de 100 pontos-base na Selic poderia reduzir o lucro líquido esperado para 2027 em cerca de 10% no Assaí (ASAI3), 8% no Magazine Luiza (MGLU3) e 4% na Pague Menos (PGMN3).

O Bradesco BBI reforça essa visão, indicando forte revisão dos preços-alvo do setor, especialmente para companhias com maior duração e dependência do ciclo econômico doméstico. Novos riscos incluem mudanças trabalhistas e aumento da carga tributária com a reforma do consumo.

Ainda assim, algumas companhias são vistas como capazes de crescer em um ambiente desafiador. O Bradesco BBI recomenda Mercado Livre (MELI34) e Smart Fit (SMFT3), por terem mais da metade de seu EBITDA gerado fora do Brasil e menor dependência do consumo doméstico. Recomendações outperform também incluem Assaí (ASAI3), C&A (CEAB3), Grupo Mateus (GMAT3), Grupo SBF (SBFG3), Azzas 2154 (AZZA3) e Riachuelo (RIAA3).

O BTG Pactual prefere nomes mais defensivos e menos dependentes de recuperação cíclica, como Smart Fit (SMFT3), RD Saúde (RADL3) e Panvel (PNVL3), citando tendências estruturais de crescimento e menor exposição ao crédito e consumo discricionário.

O Goldman Sachs avalia que a forte correção abriu oportunidades, com ações sob sua cobertura acumulando queda média de cerca de 33%. O setor negocia a cerca de 7,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, patamar inferior a outros períodos de juros reais elevados, indicando que riscos macroeconômicos já foram incorporados aos preços. Recomendações incluem Mercado Livre (MELI34), RD Saúde (RADL3), Assaí (ASAI3) e Smart Fit (SMFT3), por combinarem crescimento acima da média, ganhos de participação e capacidade de atravessar um cenário difícil.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/credito-e-dividas/acoes-varejo-desabam-apos-eleicoes-8211-queda-abriu-oportunidades-bolsa/
