'Temos um time de ações capaz de ganhar da campeã do mundo'; onde investir na bolsa
O Ibovespa passou por uma correção significativa, mas a recuperação do investidor estrangeiro pode trazer novas oportunidades. Raphael Figueredo, estrategista da XP, aponta setores e ações promissoras para o cenário atual.
'Temos um time de ações capaz de ganhar da campeã do mundo'; onde investir na bolsa
O Ibovespa (IBOV) passou por uma correção de cerca de 15% a 17% nos últimos dois meses, devido ao estresse quanto a temores inflacionários no país com a guerra no Oriente Médio, o que pressionou a curva de juros brasileira.
A avaliação é do estrategista de renda variável da XP Investimentos, Raphael Figueredo, em entrevista ao Money Times, que destaca quais setores e ações são as "artilheiras" da carteira em um contexto de cautela e volatilidade na bolsa.
Recentemente, no último relatório Raio-XP, a corretora reduziu a projeção do Ibovespa de 205 mil pontos para 200 mil, como um reflexo da recente alta das taxas reais de longo prazo no Brasil.
Hoje, no entanto, é observada uma recuperação de um fator importante para a bolsa brasileira, segundo Figueredo: a volta do investidor estrangeiro. Para o estrategista, isso acontece devido à busca por outros ativos para além daqueles ligados ao rali de inteligência artificial (IA).
"O mundo está monotemático em IA. O fluxo vir para cá, mesmo com o estresse da curva e uma preocupação mais curto prazo, acaba tendo o efeito de que uma coisa pode anular a outra, visto que a bolsa está muito descontada", avalia. "Quando tem um estresse com IA, que é o cenário que observamos hoje, isso acaba favorecendo o Ibovespa, que é mais ligado a bancos e commodities", afirma.
A despeito das eleições à presidência em outubro já estarem no radar dos investidores, Figueredo diz que a volatilidade eleitoral no IBOV, por ora, tem sido mais baixa na comparação com outros anos eleitorais. "Mas a tendência é de que mais perto das eleições tenha mais ruído na bolsa", acrescenta.
Além disso, no exterior, o mercado precifica ao menos uma elevação nos juros norte-americanos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Na avaliação do estrategista da XP, é importante olhar para o Treasury de 10 anos, que opera acima da faixa de 4,600%, o que sinaliza uma inflação global mais elevada.
Na avaliação de Figueredo, da XP, os setores financeiro e de utilidade pública seguem como os mais defensivos no atual contexto doméstico e geopolítico. Isso, detalha, ao considerar a lucratividade e a recorrência de resultados positivos, mesmo diante de juros elevados no Brasil.
Ao olhar especificamente para as ações, o estrategista destaca o Itaú (ITUB4), visto que o banco é uma "maquininha de gerar resultados".
Já no segmento de saneamento, as top picks são Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3), enquanto o destaque entre as elétricas fica com Copel (CPLE3) e Equatorial (EQTL3).
"Temos um time capaz de ganhar da campeã do mundo, com muita qualidade e recorrência de resultados", afirma Figueredo.